O sonho acaba, mas ainda tem pão doce!

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Bom, aqui estamos novamente entre linhas, conversas e pontos de vista, mesmo que míopes.

Dia desses me peguei pensando, de longe, apenas cogitando uma hipótese remota e no meio disso tudo veio a pergunta: Quando será que o sonho acaba??

A pergunta veio ao analisar os acontecimentos com carro antigo. Hoje é tudo absurdamente caro (ou talvez eu mesmo que ganhe pouco), muito difícil, de frágil construção e o pior de tudo: tudo é feito com desdém.

Nós apaixonados por autos antigos sofremos absurdamente nessa dura realidade de ´´profissionais´´ que fazem o serviço sem a menor consideração pelos nossos sonhos de quatro rodas (vale também para os sonhos de duas rodas). São descasos absurdos, semanas e semanas sem receberem atenção nas oficinas por aí, ficam lá, parados, abertos juntando pó a torto e a direito, sem nenhuma cobertura para proteger a lataria ganha a mais variada gama de riscos, picados e batidas na pintura que com muito esmero foi feito a alto custo na ocasião da restauração tão sonhada e sofrida pelo proprietário. Além disso, ao ficar lá à exposição, a clientela da oficina se sente no direito e com prazer vai lá abrir a porta (e bater para fechar), dar soco no capô com a maldita frase: Isso sim que é lata! Mas não para por aí não, eles vão além disso, soltam o capô com força, se esfregam no carro, passam a mão com pó e tudo, ficam com a piadinha de que tem que ter um posto de gasolina junto, que tem que voltar no tempo pra achar peça e aí no limiar da insanidade, testando o limite do ´´propriOTÁRIO´´ do veículo blasfemam a hedionda frase: Tinha que ser V8 pra ser carro de verdade. O que mais me revolta nessa frase é que sempre é proferida por um cara que tem na garagem um carrinho de plástico com motor 1.0 (geralmente financiado em 1500 vezes), que reclama do preço da gasolina e dá banguela sempre que pode para economizar combustível.

Depois de passar por tudo isso, se o valor cobrado não for exorbitante (sim, pois é comum o pensamento de que quem tem carro antigo é abastado financeiramente), se a lataria não for por deveras danificada, se o serviço feito ficou razoável (ahh meu amigo, razoável é o máximo que se consegue por aí nos dias de hoje, serviço 100% é mais difícil que fazer as seis dezenas da mega), talvez depois de tudo isso, você volte a rodar por aí com o seu carro, sentindo o cheiro de nostalgia no escapamento dele, ouvindo o ronco do motor reverberando os anos idos do tempo em que se fazia carro de verdade…

 

Um FORD abraço

 

Sabugo

John Zachary DeLorean uma história para se contar

Sabe aquelas pessoas que amam os carros acima de tudo? John Zachary DeLorean era uma delas, sua ascensão e queda faz parte de uma história que merece ser contada sempre.

Foto:autorevue.at

Foto:autorevue.at

Nascido em Detroit, Michigan nos Estados Unidos no ano de 1925,  trabalhava em uma das fábricas da cidade dos motores assim como seu pai imigrante, para pagar a faculdade, estudou engenharia.

Entrou para a Chrysler, depois para a Packard e em 1956 chegou na General Motors.

Foto:ritkanlathatotortenelem.blog.hu

Foto:ritkanlathatotortenelem.blog.hu

Logo chegou ao cargo engenheiro-chefe na Pontiac, divisão da GM, o seu trabalho foi algo notável, fez a Pontiac ser uma das marcas mais conhecidas dos Estados Unidos.

O grande projeto que alavancou a divisão foi o foi o Pontiac GTO, um dos pioneiros da era “Muscle-Cars”

Foto:deviejoaclasico.wordpress.com

Foto:deviejoaclasico.wordpress.com

Outro grande sucesso da Pontiac foi o Firebird, aqui uma versão de 1967 conversível junto com o DeLorean.

Foto:marconimuseum.org

Foto:marconimuseum.org

Em 1969 foi promovido a Gerente Geral da Chevrolet, onde seu trabalho nas áreas de design e qualidade na marca se destacaram em 1973, continuou a subir as escadas da empresa foi promovido a vice-presidente das divisões de automóveis e caminhões da General Motors, foi quando resolveu sair da empresa depois de ter algumas desavenças, ele só tinha 48 anos, nunca um executivo foi tão bem sucedido e tão jovem na empresa como ele foi.

Foi quando começou a por seu grande sonho em prática, criar um carro esportivo.

Ele criou o DeLorean DMC-12, usou todo seu prestígio que conseguiu na GM para atraí-los mas não foi suficiente teve ajuda do governo britânico para instalar a fábrica em Dunmurry, que custou US$ 500 milhões, perto de Belfast na Irlanda do Norte, inicialmente seria em Porto Rico.

Contratou grandes designers e até do “mago” Colin Chapman, da Lotus, também do famoso designer italiano Giorgetto Giugiaro.

A Lotus que fornecia o chassi, que era o mesmo do Lotus Esprit orientou a utilizar o motor central, mas reza a lenda que o John DeLorean queria um espaço no carro para levar seus tacos de golfe, por isso jogou o motor para a parte traseira do carro.

Lotus Esprit Concept 1972 - Foto:www.leblogauto.com

Lotus Esprit Concept 1972 – Foto:www.leblogauto.com

O carro começou a ser planejado com a promessa de ser lançado em 1978, mas só conseguiu por em produção em 1981.

Raio-X DMC-12 Foto:www.pinterest.com

Raio-X DMC-12 Foto:www.pinterest.com

Um detalhe que passa despercebido por muitos foi o local onde a fábrica foi instalada, a Irlanda do Norte estava passando quase uma década por um conflito religioso entre protestantes e católicos, encobrindo um conflito político. O desemprego chegava a 50%, chefes, gerentes e executivos em geral eram sequestrados com frequência. Em 12 meses a fábrica foi planejada e construída, um plano tão audacioso que não se viu igual até hoje, a fábrica era um verdadeiro oásis dentro da guerra, os funcionários não discutiam política e nem religião e se deram muito bem durante a operação da fábrica.

Belfast, anos 70 - Foto:www.roundtheworldflights.com

Belfast, anos 70 – Foto:www.roundtheworldflights.com

A maioria dos funcionários teve na fábrica do DeLorean seu primeiro emprego, foram 2500 empregos gerados diretamente.

Foto:www.roundtheworldflights.com

Foto:www.roundtheworldflights.com

Lembro até hoje da capa da antiga revista MOTOR 3 com o DMC-12 e fiquei encantado, como garoto, sonhava com os carros das capas das revistas e o DeLorean todo em aço inoxidável me paralisou, ainda mais com suas famosas portas em estilo “Asas de Gaivota”.

Revista Motor 3 - foto: dmc12.blogspot.com

Revista Motor 3 – foto: dmc12.blogspot.com

O carro foi planejado em pouco tempo por isso utilizava peças de outros carros, chassi da Lotus, embreagem da Renault, freios dianteiros da Ford, feios traseiros da Jaguar, cerca de 300 empresas forneciam peças para o DMC-12.

As propagandas eram incríveis, mas o início dos anos 80 ainda em crise prejudicou muito as vendas, aliado ao seu complicado motor, nada confiável, foram produzidas 6500 unidades do carro apenas.

A criatividade e desespero fez o John DeLorean banhar a ouro o DMC-12, inicialmente achava que venderia 100 unidades banhadas a ouro, mas foram produzidas e vendidas só duas unidades.

DMC-12 banhado a ouro - Foto:www.deloreans.co.uk

DMC-12 banhado a ouro – Foto:www.deloreans.co.uk

Como se não bastassem tantos problemas, o carro teve um Recall por conta de um defeito na suspensão e por incrível que pareça um Recall do Recall.

Motor do DMC-12 - Foto:www.barrett-jackson.com

Motor do DMC-12 – Foto:www.barrett-jackson.com

O DMC-12 usava um motor V6 de 3 litros, injeção eletrônica da Bosch, um grande avanço para a época, onde a maioria usava carburadores ainda, mas passava longe de ser um esportivo.

Com o fracasso de vendas no mercado extremamente competitivo dos Estados Unidos, alguns funcionários tentaram direcionar as vendas para o mercado inglês invertendo a direção do carro para a famosa “mão-inglesa”, foram feitas 12 unidades. Mesmo assim 2 anos do primeiro carro sair da linha de produção a fábrica entrou em concordata, seus funcionários trabalhavam apenas para manter seus empregos, mas mesmo assim o sonho do John DeLorean estava chegando ao fim.

E o golpe final veio de algo inusitado, John DeLorean tentou investir U$ 25 milhões em uma importação de cocaína em uma tentativa desesperada de salvar seu sonho. Até onde vale a pena perseguir seus sonhos? Vale tudo?

Foi pego em um flagrante armado pela polícia, ficou 10 dias em uma prisão em Los Angeles nos Estados Unidos e solto por falta de provas.

John Zachary DeLorean com certeza entrou para a história do automóvel, sua última unidade saiu da fábrica dia 24 de Dezembro de 1982. Anos depois o DMC-12 voltou a ser uma sensação com a trilogia “De Volta Para o Futuro”.

Foto:innovatemedia.com.au

Foto:innovatemedia.com.au

Os direitos do DMC-12 foram comprados em 1997 um inglês, em 2008 foi reiniciada a produção em Humble no Texas, estados Unidos, com o motor PRV V6 de 197 CV e agora em 2016 estão sendo fabricados 300 unidades em 2016.

Assim como o filme o DMC-12 estava a frente do seu tempo, esperamos que sua produção continue, pois é um carro icônico e uma história-viva do automobilismo.

Leandro Sauerbronn

John DeLorean - 06-01-1925 / 19-03-2005

John DeLorean – 06-01-1925 / 19-03-2005 – Foto:www.findadeath.com

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Andando

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Clima do sul todo mundo sabe como é, tem frio, neblina, geada (que anda meio sumida ultimamente) e chuva, bastante chuva. É nesse clima em que habito, essa é minha pátria.

Acontece que apareceu um curso para fazer, desses que os sindicatos de classe, as entidades de cada profissão organizam com o intuito de qualificar os profissionais que dela fazem parte.  Como eu já queria fazer isso há um bom tempo, me inscrevi e lá fui eu.

Era uma semana de chuva, muita, muita chuva e o dia escolhido era uma quinta feira, por sorte nesse dia o tempo resolveu dar uma trégua, não totalmente, apenas aliviou a barra e transformou o aguaceiro numa garoa rala e chata, tudo para manter úmido e nublado.

Meu companheiro de viagem, o meu amigo de estrada, companheiro de rodar por aí ganhou um trato na noite anterior à viagem: calibragem nos pneus, tanque cheio e um desembaçador nos vidros para garantir a segurança da viagem. Chegando a hora de sair, os cuidados de sempre: fechar os vidros, verificar água e óleo, deixar um pano para enxugar os vidros se acaso for necessário.

Então coloquei o Maverick para rodar, abaixo de garoa mesmo, com cuidado, saí cedo para não ter que apurar, estava andando de boa, e a cada curva sentindo o carro, voltando a interagir com o veículo, relembrando de tempos idos quando rodávamos com frequência pelas noites, nos finais de semana. Lembro de uma vez que ao terminar o programa Mundo do Rock saí com ele rodar pela BR pelo simples prazer de dirigir um veículo clássico,  nessa vez fui até a entrada da cidade vizinha e como a noite estava linda, céu limpo, estrelado, noite quente de verão, parei o Maverick, desembarquei e me recostei em seu para-brisa, sentado sob o capô fiquei a observar o céu e por acaso, ví estrelas cadentes passando, foi a única vez que ví na vida e eu com meu Maverick.

Agora novamente tenho a oportunidade de rodar com ele, confesso que no início com um certo receio, andando igual um tiozão, de leve, sem apertar muito, sem pisar demais. No decorrer da viagem, a coisa vai se modificando, volta o entrosamento e a magia novamente acontece, estou eu na BR praticando MAVECKOTERAPIA outra vez! Como isso é bom, é mágico você bater a seta para o lado, pisar mais fundo e sentir o carro ganhando chão e fazendo a ultrapassagem!! Vocês não sabem, mas eu vou confessar, o horizonte é bem mais bonito quando fica alinhado com o friso do capô e a luz tem um brilho diferente quando se mostra no retrovisor!

Opaaaaa, acabou o intervalo do curso, vou voltar para a aula, amanhã cedo continua e depois, daí vou embarcar no Maverick outra vez e voltar para casa ao som do velho Geórgia.

Um FORD abraço.

Sabugo

A primeira vez…

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Foto: Adriano Longhi

Bom, nem todos sabem, mas dia oito de Abril completa uma década de parceria com meu Maverick, nossa como o tempo passou! Nesse tempo fizemos muitas coisas juntos e também ficamos praticamente três longos e impiedosos anos separados, mas esse foi um mal necessário (ao qual eu não suportaria ter de passar novamente).

Acontece que tem sempre a primeira vez, e a primeira vez do Maverick foi sábado passado. Obviamente que ele já havia feito isso em outras duas ocasiões, mas essa seria diferente e portanto a sua primeira vez.

Numa tarde de um dia qualquer já esquecido chega até a loja um conhecido de longa data e me pergunta se eu ainda tinha o Maverick, ao passo que respondo, ele já me pergunta se eu levaria a sua noiva para a igreja com ele e quanto cobraria para tal. Eu não esperava essa pergunta e muito menos esse tipo de trabalho digamos assim. Mas como era meu conhecido falei que poderia fazer sem problema só que como eu nunca havia feito antes, não tinha a menor noção do que poderia cobrar. Pedi para ele qual valor seria bom para ele pagar, assim que ele disse o referido valor, topei e ficamos combinados.

No sábado depois do ensaio cheguei em casa e fui dar um trato no carro da noiva, uma polidinha aqui, um preteadorzinho acolá, um paninho ali, etc. O Maverick estava impecável e pronto para sair, faltava eu ir ao banho, arrumar uma gravata e bancar o motorista particular. Cheguei no local combinado, levei a noiva pra a igreja, esperei a cerimônia, trouxe os noivos para um lugar onde tiraram várias fotos e depois levei ambos para o local da festa, isso levou suas duas horas e meia ao todo.

Acontece que foi a primeira vez na vida que o Maverick me deu lucro monetário, ele já me deu alegrias, risos, amizades, já me deu calma, friozinho na barriga, muita satisfação, mas nunca havia me trazido renda, mas dessa vez eu voltava para casa com dinheiro no bolso! E pelo relato do noivo muita gente gostou do carro e é bem possível que eu seja procurado logo mais para outros eventos.

O que sobrou do evento além do valor pago pelo noivo foi aproximadamente meio kilo de arroz espalhado por todo interior do Maveco coitado. Ao saírem da igreja os noivos receberam a tradicional chuva de arroz e muita coisa ficou no vestido da noiva que quando entrou no carro acabou derramando por lá. No dia eu não acabei não vendo isso, foi ver hoje no finalzinho da tarde quando aproveitei a garagem para namorar um pouquinho. Como o Maverick está do lado do aparelho de som, coloquei um vinil do Nazareth, subi o volume do receiver até o 3 e fiquei sentadinho dentro do maverick com a mulher da minha vida ouvindo altas baladas do Nazareth entre beijos e abraços pisoteando no arroz do casamento.

Um FORD abraço.

Sabugo

No posto…

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Bem, eu já digitei algumas linhas sobre o tema há algum tempo, mas como o assunto é recorrente, vai, volta e nunca tem fim, pois sempre se repete, volto a comentar sobre o mesmo…

A coisa toda aconteceu num sábado desses, era um dia de sol, havia uma festa para ir, pedi dispensa do trabalho e ganhei a manhã daquele sábado de folga. Obviamente estiquei um pouco mais o sono, uma horinha a mais de sono não faz mal a ninguém não é mesmo? Levantei, tomei um café, comi alguma coisa, nada de mais, alguns biscoitos e me encaminhei para a garagem.

Lá estava meu velho amigo, companheiro de tantas idas e vindas, no descanso de seu lar. Entretanto, havia poeira sobre ele, naquela ocasião isso era inadmissível, tínhamos evento e precisávamos estar apresentáveis.

Sem demora arranjei um pano, escova, detergente e um balde. Em pouco tempo ele já estava fora da garagem levando água na lataria. Como não havia muito tempo eu precisava ser rápido, fiz o melhor que pude e o deixei apresentável.

Depois disso era eu quem precisava dar um trato no visual e lá fui eu pro chuveiro, fazer a barba, vestir a camisa, acertar o nó da gravata, passar um perfume, ficar apresentável (Obra essa que praticamente beira o impossível, mas a gente tenta né…).
Ok, tudo pronto e lá vamos nos para o casamento do amigo, estaciono o Maverick do lado da igreja, num lugar discreto e na sombra, pois naquele sábado o sol já pela manhã demonstrava que o dia seria de um verão digno das Arábias.

Após a missa, saímos da igreja e me dá o estalo de aproveitar até que o pessoal se organize para sair de ir abastecer o carro. Saio calmamente pelas ruas de trás e chego no posto, encosto no bomba, mas era a bomba de gasolina comum e eu queria dessa vez uma aditivada, só pra variar. Após acertar a bomba, desembarco e como de costume abro a tampa de combustível (nunca deixo ninguém fazer isso) e peço para completar.

Enquanto o pessoal do posto estranha minha indumentária, começa meu suplício: Chega um cidadão e puxa papo:

– O carro é teu?

– Sim é.

– Bah bonito o comodorão, onde comprou?

– Viu teu, não é comodoro, é um MAVERICK.

– Ah é mesmo, nem notei, desculpa, ta bonito ele, faz tempo que você tem?

– Nove anos.

– Poxa, é tempo e foi você que reformou?

– Não, foi o Chicão.

– Que Chicão?

– O Lazarini.

– Era o dono dele?

– Não, o cara que fez o serviço de restauração. (Nessa hora eu olhava para a bomba pedindo por favor para ir o mais rápido que pudesse…)

– Ficou bonito, mas bebe muito né, faz quanto por litro?

Sabe meu amigo leitor, nessas horas meu sangue de barata ferve, nessas horas eu cego, minha miopia vai a duzentos graus, nessas horas as coisas perdem o sentido. Eu não saio por aí pedindo informações, então por que raios um infeliz desse vem me pedir se o carro bebe muito? É da alçada dele saber disso? Ele vai comprar um? Ele vai me financiar a gasolina? Só Maverick bebe? Fusca, opala, dodge charger, L-200, veraneio não bebem?

Olho bem nos olhos do cara, respiro fundo, mordo os lábios, e então eu falo:

– Bebe pouco, está bem reguladinho.

– Mas faz quanto (insiste o infeliz desavisado e sem noção)

– Faz dois. (já com sangue nos olhos)

– Nossa só isso? Você vai se quebrar! (nessa hora é melhor vocês não imaginarem para onde eu mandei ele em pensamento)

– Pra mim tá muito bom assim e se eu não pudesse pagar a gasolina dele eu não saia de casa!

Viro as costas e saio dali. Por castigo ainda demorou mais um pouco para acabar de encher o tanque. Depois de todo o trabalho que tive para limpar ele, ajeitar tudo, estava indo tudo tão bem e do nada me aparece um infeliz desse…

Sabe, o Maverick me dá ótimas lembranças, várias alegrias, mas tem alguns percalços no caminho que são de azedar o dia de qualquer um antigomobilista.

Um FORD abraço.

Sabugo

O Retorno

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Pois é galera, depois de um tempo, tudo volta ao normal, ou pelo menos tende a ser normal, se bem que de perto ninguém é normal! Enfim que retornei aos nossos textos semanais aqui pela Sociedade Automotiva e confesso que estava sentindo falta.

O motivo da ausência foi que por vezes precisamos dar alguns passos em nossas vidas e eu após alguns anos de namoro, resolvi dar o passo seguinte. Agora que já entramos no ritmo, as coisas da casa estão ajeitadas e em ordem, novamente sobrou um tempinho para digitar algumas linhas. A grande vantagem é que nesse meio tempo sobraram histórias para contar e vou tentar manter uma cronologia para chegar até nos dias de hoje, texto após texto.

Obviamente esse é um espaço de Rock and Roll e carros, motos, utilitários, moto e bicicletas, balsas, veículos militares, protótipos, ou seja, tudo que envolve o mundo automotivo. Pois bem, começamos falando de carro então.

Muitos que me conhecem sabem que o meu carro é um Maverick Super Luxo 1976 que recentemente (num processo de praticamente três anos) restaurei, porém alguns ajustes ainda precisavam ser feitos nele para rodar sem nenhum problema. O maior problema era a água que entrava no carro, nos pés do carona, mas isso foi resolvido pelo restaurador do carro, só que a coisa levou um bom tempo e aí o carro só foi entregue no dia do casamento, seria mais uma aventura a bordo do Maverick.

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No dia marcado, meu grande amigo Cride veio buscar o carro para lavar e levar a noiva para o casamento. É engraçado como as coisas acontecem, aos oito anos de idade eu falei ao meu pai que teria um Maverick, eu segurava uma folha de revista na mão, nela apareciam emparelhados dois Maverick, um era um GT V8 branco e preto e ao lado um Super Luxo dourado, ambos ainda da primeira série (até 1976), curiosamente quanto o pai me pediu o qual dos dois eu respondi que era o dourado e vejam só, aos 21 anos eu comprei ele, era um oito de abril de chuva, mas era o mesmo modelo daquela folha de revista.

Esse carro me deu muitas alegrias, várias histórias, inúmeros amigos e foi ele que levou minha hoje esposa para a igreja. Obviamente seria ele que nos levaria para a lua de mel. Não precisava ter chuva em 80% do percurso, nem buracos na estrada, ou melhor, na BR (que esse governo insiste em não arrumar comendo pela perna o trabalhador em impostos mal aplicados), mas era a situação em que nos encontrávamos: em meio a chuva e com o carro sem ter sido testado antes, pois peguei ele no dia anterior e já saímos para viagem.

Mas estava tudo em ordem com o maveco e chegamos ao destino sem nenhum problema. Estacionei em frente ao hotel, fizemos a papelada, pegamos as chaves e então um dos funcionários do hotel se prontificou para levar o carro para a garagem, onde eu prontamente recusei educadamente e disse que eu mesmo faria isso, então subimos para guardar as malas. Ao voltar para a recepção peço para abrir a garagem e quando desço até o Maverick, eis que ali um pneu traseiro estava completamente murcho, furou em frente ao hotel (ou será que foi vingança do manobrista?!) e lá vou eu puxar macaco, chave de roda, estepe. Mas meu Maverick é valente, fez bonito na ida e na volta, o pneu não foi culpa dele de jeito nenhum.

Agora a história fica completa com o carro que eu sempre quis, restaurado, pronto e rodando, foi ele que levou a mulher que eu amo para a igreja e hoje ela é minha esposa, isso prova que o mundo dá voltas, ele gira meu amigo e quando você olhar para trás e ver tudo o que passou, o quanto gastou, as idas e vinda de ônibus, a distância do relacionamento, você vê que cada milímetro, cada centavo, cada segundo valeu a pena e no nascimento de um sorriso gerado pelas lembranças você renova as certezas e vê que tudo valeu a pena e com convicção afirma plenamente que faria tudo outra vez sem pestanejar.

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Um FORD Abraço

 

P.S.: Se alguém aí se perguntou se eu esqueci do rock no texto, não, não esqueci não, só para constar: A saída da igreja foi ao som do RAULZITO