Mundo do Rock

Um final de semana de chuva

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            Incrível como algumas previsões se concretizam, de quando em vez os oráculos acertam e geralmente acertam quando a previsão é ruim, quando a coisa tente a ficar medonha é que o percentual de acerto aumento. Isso é sacanagem, mas apesar de ser sacanagem é uma realidade constante. E não sei por que razão a previsão prometia uma chuvarada graúda aqui para esse final de semana. Não deu outra, despencou o mundo em água. Bem, acho que ficou claro que o assunto de hoje é água não é mesmo?

Sexta feira tinha o programa para fazer, são três horas semanais de rock e não podemos desperdiçar nenhum segundo de nosso espaço na rádio. Por conta das fortes chuva, raios, relâmpagos e trovões decidiram (ou necessitaram) desligar os elevadores do prédio. Eu inocentemente atravesso a rua com duas malas cheias de cds abaixo de chuva e adentro o prédio, foi então que avistei os dois elevadores desligados e a porta das escadas como que sorrindo marota me convidando a entrar.

Lá se foi o Sabugo escada a cima com as malinhas de cds até o oitavo andar. Não estou na minha melhor forma física, mas ainda dá pro gasto, com o fôlego ainda de boa chego no estúdio, mas a todo custo tentando evitar as câimbras que querem aparecer. Mas isso não interferiu, fizemos o programa abaixo de chuva vendo o céu clarear freqüentemente com os relâmpagos, abri o programa com Riders on the storm do The Door e teve até bloco de Blues.

No sábado a chuva ainda insiste em cair adiando os planos que eu tinha para a tarde. Eu precisava ir buscar meu Maverick, o problema é que abaixo de chuva não havia como, pois está sem o vidro traseiro porque durante a restauração esse item desapareceu e agora preciso fazer outro antes de colocar o vidro. Quando o céu resolveu dar uma trégua, chamei um amigo e fomos resgatar o maverick de uma chapeação para levar à outra onde será concluída a montagem e polimento. Acontece que chegando lá para fazer o bólido voltar à vida deu um trabalhinho. Alguma sujeira no carburador, que logo o velho H34 engoliu sem engasgar.

O que nos tomou tempo foi a luz do painel que acendia indicando superaquecimento. O Fernando (amigo e mecânico) deu uma ajuda e revisamos as mangueiras do radiador, as mangueiras do radiador do ar quente e até retiramos o ´´cebolinha´´ da temperatura conferindo todo o conjunto e nos certificando que a luz do painel tava louca, pois o sistema de arrefecimento do carro estava funcionando perfeito. Mesmo assim saio receoso da oficina e ganho a rua com medo da polícia, afinal de contas o carro está sem limpador de para brisa, sem capô, sem pára-choque e com ausência total de espelhos e bancos, sem falar em cinto de segurança.

Acontece que no trajeto para a oficina para ao lado de uma mercedes benz branca, dessas conversíveis com espaço para duas pessoas e meu coraçãozinho enferrujado de maverickeiro fala mais alto… acelero, acelero, encho os tuchos, tiro o pé de soco da embreagem e a vida flui novamente, os pneus cantam, é um rock em meio a fumaça que sobe enquanto subindo a rotação continuamos no lugar! Não há dinheiro que pague isso no mundo inteiro! Mesmo meu Maverick não estando inteiro!

Ainda no sábado após essa sessão de Mavecoterapia tive que voltar correndo para casa, pois era ensaio da banda, vida corrida. Se é assim com chuva, imagina quando o tempo for bom!

 

Um Ford Abraço

 

Sabugo

E chega a hora

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Não se sabe ao certo quando será a hora, mas sabe-se de antemão que ela chegará sem falhar, mesmo que tardiamente, isto quando não chega antecipadamente e nos pega desprevenidos.

Falo isso pelo adiantar do calendário, já estamos indo para o final do ano, complicado foi que eu não vi passar os outros oito meses.

Dei um tempo nesse domingo para dar um trato no meu velho amigo, um violão Folk Eagle CH882. De vez em quando é bom trocar o encordoamento, dar um trato na madeira do braço, hidratar, conferir parafusos, trastes, curvatura do braço. Adiei tudo o que pude para fazer isso, mas chegou a hora, o encordoamento já estava na espera há mais de dois meses e meu violão pegando pó, sempre tocando ele com as cordas velhas.
Fiz a capricho, cordas 0.11 de bronze, todo hidratado, lustrado e polido, alinhado e afinado. Dá gosto, até toquei um Raulzito nele para não perder o costume.

Levei umas duas horas entre desmontar e montar, afinar e deixar pronto, mas valeu e muito, ficou 100%.

Entrementes, enquanto eu fazia todo esse preparatório, me lembrei das tarde de sábado lavando e polindo o bólido, digo, meu Maverick. Primeiro um jato de água para tirar o máximo possível de pó afim de não riscar a pintura já rota da ação dos anos, depois água com sabão, após bem esfregado com esponja e os pneus lavados com escova vinha o último enxágüe para retirar o sabão e assim evitar que manchasse ainda mais a pintura. Mas não era o fim de tudo. Na sombra eu passava cera por todo o carro, até nas calotas, esperava um pouco e depois eu com uma estopinha na mão polia ele. Era cansativo, mas prazeroso, tal qual uma trilha de moto, tal qual forjar uma faca. Mas eu saboreava o resultado apreciando as curvas reluzentes de um carro feito há mais de trinta anos, me espelhava em sua lataria (ainda feita de lata e não de plástico como os de hoje).

Quem ainda hoje faz isso? Acho que poucos. Raros são os que mantém uma interação com seu carro, uma relação de companheirismo e respeito, cuidado, manutenção, amor.

Muita gente terceiriza a lavação seja por sobra de verba, por falta de tempo ou por pura preguiça. Bom talvez nem seja por isso né, afinal de contar os carros de hoje são como eletrodomésticos: são cheios de fios e botões, são feitos de plásticos, isentos de personalidade e essência já não pertencem mais à família, são apenas objetos que após seu período de uso, assim que começarem a aparecer os primeiros sinais da necessidade de manutenção são descartados/trocados por um novo.

A hora chega, e chegou a hora de voltar ao meu carro, chegou a hora de matar a saudade e viver a louca utopia de voltar no tempo e tentar em vão viver na década em que eu bem queira.

 

Um Ford Abraço

 

Sabugo

Sabugo, o Patriotário

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Dia da independência, feriado nacional, cá estamos nós outra vez no 07 de Setembro e como de costume euforia por toda parte, manchetes de jornais, cobertura de rádios e tvs divulgando o posicionamento das escolas, dos aparatos militares, dos palanques com as autoridades, a mesma coisa de todo ano. Seria o dia da comemoração pela independência do Brasil, seria… Aos meus olhos não é e não culpem a minha miopia! Eu vejo a reportagem sobre o pelotão de choque passando o cacete nos manifestantes, vejo a cavalaria partindo para cima dos estudantes e a polícia em peso na rua ´´garantindo a segurança do povo´´. Balela! Eles estão lá em peso para a qualquer momento descerem o sarrafo em algum manifestante que grite contra o sistema.

Não há mais como ir contra o sistema, não tem mais como lutar, barraram tudo, manifestação é proibida, a imagem que a ditadura hipócrita usa é a da democracia, estamos perdidos. Valem para eles os verdadeiros patriotas, aqueles que choram quando a seleção brasileira de futebol perde (sim, aquele time montado com gente que sequer sabe cantar o hino nacional), vale o brasileiro que ama o carnaval, que adora pagode, o brasileiro que consome, que usa a linha de crédito do governo para tudo, o brasileiro que vota e que paga um sem fim de impostos.

Eu não sirvo de modelo, cantei o hino nacional toda terça-feira no colégio agrícola, inclusive abaixo de chuva, trabalho de sexta a sábado, em uma compra de materiais de construção de R$ 1.861,00 pago de imposto R$ 636,90 (achou pouco?), tenho carro antigo, não compro a cada nova coleção uma roupa nova. Eu fiz sentido no colégio e tinha que tomar distância do colega que estava na frente com a mão no ombro! Eu tinha seis anos, vivi ainda o resquício de ditadura militar quando criança. Me fizeram jurar a bandeira quando me alistei e graças a Deus fui dispensado do serviço militar obrigatório. Fiz algum trabalho no colégio porque eu não participava do desfile de 07 de setembro, eu sempre fui avesso a ele e hoje mais ainda, não tem mais sentido, está tudo tão errado, está tudo tão à vista e não podemos nos expressar.

Aí na tv eu vejo a mídia com programas podres acabando com a decência e a moral da família sem falar no lixo culturas que jorra sem parar.

Quando Renato Russo escreveu Que País é Esse era o ano de 1987 (pelo menos foi quando lançaram o álbum) e tantos anos mais tarde a canção é atual, continua tudo uma porcaria. Raulzito falou no seu Cambalache (também em 87) e antes em Aluga-se (1980) e a coisa toda continua na mesma, isso sem lembrar dos Inocentes com Pátria Amada, Cazuza com Brasil, entre outros. Antes se fazia música de protesto (algumas ainda em período de ditadura militar), hoje nem músicas de verdade fazem mais, imagina então músicas de protesto, hoje é só bunda, pegação, porre, xororô, coração partido e teminhas para novelas.

Já que foi 07 de setembro, vamos celebrar, vamos escutar a melhor de todas: Perfeição – Legião Urbana.

Um FORD abraço.

Sabugo

Minguando

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Os dias nebulosos continuam pairando em nosso calendário e são nesses dias pesados, compridos que me pergunto sobre o tempo, é a mesma pergunta da canção do Marcelo Nova. Se o tempo não pára, nem chega atrasado, que horas serão quando o tempo mudar para tempo passado? Interessante isso não é mesmo? O que acontece agora, logo será passado, o teu dia a dia pode em um instante virar história, ficar lá, impresso na memória, nunca mais voltar a acontecer.

Eu não faço muito o tipo otimista não, até arriscaria dizer que sou do tipo pessimista, acho que (e meu amigo leitor, tenho provas concretas) a tendência natural das coisas é irem de mal a pior. Sim, existem exceções, mas via de regra se deixar a coisa por si só, vai dar porcaria, é preciso intervir para mudar o rumo, entretanto nem sempre se faz possível essa mudança, nem sempre podemos manipular as várias variáveis do tempo, da vida, dos acontecimentos.

Bem, chega de rodeios, vou direto ao ponto. A coisa toda está minguando, cada dia que passa não é um a mais e sim um a menos! Mais uma banda encerra atividades, não uma banda qualquer, mas uma banda de ROCK com longos anos de carreira, com 22 álbuns de estúdio e várias turnês mundiais. E uma banda dessas com tudo isso acaba sem motivo? Não. A banda acabou porque o fundador, o vocalista não agüenta mais, no auge de seus 66 anos e com doença obstrutiva pulmonar crônica, Dan McCafferty não tem mais condições de usar sua voz rouca que emplacou tantas canções com o Nazareth.

Eu bem sei que tentaram protelar o final, mas o tempo não permite, o fim veio em um show realizado na Suíça, onde após a terceira música ele não pode mais continuar. Eu gosto da banda, fui em um show deles aqui mesmo, no interior de Santa Catarina onde eles fizeram umas 3 turnês, só eles mesmo, qual banda de renome adentra o interior de um país estrangeiro fazendo turnê? Obrigado NAZARETH por isso, por ter músicas pesadas que embalaram minha juventude e por ter baladas que eu ouvi ao lado da mulher que amo e que me marcaram para o resto da vida.

Triste realidade essa do tempo ruim com tudo, perdemos tanto, sempre, é o eterno jogo da velha em que a gente nunca ganha, só perde, quem sabe com muita sorte a gente chega a empatar.

É por isso que digo que a coisa toda está minguando, as bandas de verdade estão acabando, o rock não é mais tão executado pelas rádios que só tocam músicas da moda (mesmo sendo uma porcaria em termos de letras). Hoje não temos mais uma banda que grite contra o governo como fez Legião Urbana, não temos mais pensadores loucos como Raulzito, não temos mais carros feitos de lata que durariam décadas rodando com baixíssima manutenção, nem motores majestosos como os V8 de antigamente.

Mania minha de ser saudosista, hoje qualquer um é sucesso, não precisa ter talento, só saber rebolar e a mídia querer que aquilo seja sucesso. O povo não quer mais pensar, refletir sobre a letra e quanto aos automóveis, não são mais carro de família, são como eletrodomésticos: cheios de fios, feitos de plástico, não duram nada e a qualquer problema a gente troca por um novo e manda aquele para frente.

A coisa está minguando, dia a dia… E uma hora chega a nossa hora também, não vejo muita esperança pela frente, o que salva a estrada é o retrovisor, porque é nele que mesmo indo em frente eu vejo o que já passou, que valeu a pena e que vou levar comigo a diante!

Perdemos uma grande banda, suas músicas ficam, mas o espaço deixado por ela jamais será preenchido!

 

Um Ford Abraço

 

Sabugo

Prefiro a Garagem

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            Dia dos pais, domingão, reunião de família como sempre, mas é uma data especial, afinal é o dia dos pais, o comércio já faturou uma bolada, os pais ganham presentes, alguns filhos continuam sem os pais para dar o presente e muitos pais ganham filhos nesse dia, mas no restante do ano eles mal vão se falar, assim é a vida. Mas eu saí com a família sim, aproveitei o dia dos pai com meu pai, confesso que sem ele eu não seria nada, além da gratidão tenho muito carinho, respeito e admiração por ele.

            Foi nessa saída pouco rotineira de casa para um almoço no restaurante que algo me chamou a atenção. Chegamos ao recinto, tomamos lugar à mesa, conversamos mais um pouco e quando o pai e a mãe foram se servir, eu permaneci na mesa guardando nosso lugar, foi aí que notei a tv em um canto ligada e assisti por alguns instantes. Isso foi o bastante para reduzir o apetite e azedar o meu humor.

Passava na tv um programa que nem me dei ao trabalho de saber o nome com apresentações ao vivo de cantores de sertanejo universitário. O apresentador chamou uma dupla que entrou no palco já com a música em andamento, mandando beijinho para a platéia, um com topetinho ridículo de violão elétrico na mão, outro com calça cor de rosa e microfone na mão. Cantaram uma música ruim que dava azia, a letra não falava nada com nada, mas enquanto faziam isso, um deles tocava um violão elétrico desplugado e o outro rebolava e ria para a câmera sem parar, fazendo caras e bocas. Acontece que não batia o movimento de boca com a música, ou seja, puro playback misturado com encenação barata e fajuta.

Não quero massacrar esse estilo musical, afinal tem quem goste e temos que respeitar. Só acho muita sacanagem ir ao programa para playback é o fim da picada. Quem sabe faz ao vivo, quem sabe tira o som onde quer que seja.

Eu prefiro a garagem, ou o armazém, prefiro o estúdio precário, o quarto emprestado, o porão, o céu aberto, a calçada, seja lá onde for! Prefiro pois é em um ambiente desse que se faz música de verdade, errando, atravessando, esquecendo da letra, foi em lugares assim que nasceram bandas que hoje influenciam jovens pelo mundo. É fazendo de verdade que se curte o som, é mandando ver e lidando com a adversidade de se regular o equipamento em diferentes ambientes e condições, é no esmero que sai o som, o suor e a glória de ver o trabalho tomar forma, de se criar música. O playback é um karaokê de você mesmo, uma coisa sem graça.

Faça a coisa valer a pena, faça com vontade, faça do teu jeito, dê a cara à tapa, mas suba lá e faça na raça!

 

Um Ford abraço

 

Sabugo

O dia dos pais

 

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            Essa data anual novamente se aproxima, e eu como ainda não sou pai, continuo sendo o filho, meio rebelde sem causa, tentando ouvir o som mais alto que o politicamente correto, avesso às tendências da moda e da mídia, construindo o muro em volta do meu mundinho de rocker. Mas como o muro não é tão alto e tem alguns portões, alguma coisa do mundo lá fora é captada. E como não poderia deixar de ser, o apelo mercadológico para essa data é massivo, pesado e apelativo a ponto de saturar. Acho que foi por isso que voltando a pé para casa passando em frente de várias lojas com a estampa da data do dia dos pais na vitrine me bateu a questão de que presente dar ao meu pai e a grande dúvida de quem é o pai do ROCK.

            Tá bom, até Raulzito já disse quem é o pai do ROCK em uma de suas canções, mas eu discordo, não pode ter sido ele, não tem como… O Rock é do bem minha gente, o rock já foi bandeira de revolução pacífica, de elevação moral, de elo de amizade, de motriz da mídia, já rendeu (e ainda rende) vários montantes monetários para a economia mundial, dá emprego… O pai do rock não foi ele (aquele que o Raul falava e alguns puritanos no século passado também), então quem foi?

Certamente foi a necessidade, ela é a mãe de todas as invenções, foi a necessidade de se fazer um som que tivesse o poder de mudar a rotina, a vida, o mundo, que pudesse embalar gerações e que fosse ouvido no mundo todo. O pai do rock não foi um só, afinal de contas ele não foi concebido de uma vez só, não como o conhecemos hoje com tantas ramificações. O certo é que ele nasceu há muito tempo por pessoas que só queriam se fazer ouvidas e utilizaram a música para isso, que se valeram de uma fusão do Blues (sendo mais honesto, do Rhythm and blues), do boogie-woogie, tendo influência do country, do folk, do festern swing e sem falar no Jazz.

Se formos mergulhar no tempo tentando encontrar o pai da criança, vamos achar no registro de nascimento vários nomes como: Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis, Buddy Holly, Gene Vicent, Fats Domino, Bill Haley, Eddie Cochran, Roy Orbison, entre outros. E agora você aí está pensando que eu esqueci de Elvis, mas não esqueci, ele não foi o pai da criança como alguns pensam, ele foi o padrinho, foi ele que fez a coisa expandir e ficar conhecida.

Bem, seja lá quem tenha sido realmente o pai do rock, feliz dia dos pais!

 

Um Ford Abraço

 

Sabugo

 

Os velhos álbuns de Blues

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              Nunca deixe seus Cds mofarem, nem o bolachão (se você é um felizardo de possuir algum). Bote para rodar de vez em quando, escute eles novamente, redescubra, sempre vai ter uma música que vai te relembrar de alguma coisa boa (ou nem tanto). Mesmo que você já tenha ouvido o álbum por milhares de vezes, quando você ouvir novamente vai perceber um riff diferente, algum som que não tinha notado até então. Vai ter algo novo no velho álbum esperando que você descubra.

            Eu recomendo esse exercício, talvez porque eu sempre o faça e sempre que eu faço isso, descubro algo novo, velho, mas novo se é que você me entende.

Esses dias resolvi tirar o mofo de alguns Cds, e olha, fazia um tempão que não ouvia daquele pilha, foi por acaso, mas valeu a pena. Fui até eles peguei um por um, olhei cada um deles, tinha Roger Waters, David Gilmour, Muddy Waters, Blues Etílicos, Ronnie Earl, Teddy Morgan, Peter Green, John Lee Hooker e o escolhido, aquele que saquei da pilha pra levar direto ao aparelho: Jimmy Rogers. Talvez você não tenha notado, mas entre os citados, cinco deles são de blues, do bom e velho Blues, sim, do avô do Rock.

Dei um tempinho no rock nosso de cada dia e fui beber na fonte, visitar o velho delta do Mississippi e sua sonoridade única, seu blues forte, compassado e inebriante. Que viagem mais fantástica, a pegada de Jimmy é muito forte no blues, não sei se ele já era esse tiranossauro do Blues desde que nasceu ou se foi quando integrou a banda de maior de todos os Blueseiros, nosso saudoso Muddy Waters, lá pelos idos anos 50.

O fato é que o álbum de tão bom que era, rodou duas vezes em seguida, eu não pude fazer mais nada, fiquei fascinado pelo som ao mesmo tempo em que também fiquei indignado por não ouvir essa maravilha mais vezes, como que eu pude deixar ele de lado tanto tempo? No outro dia ouvi mais uma vez e assim seguiu pelos outros dias da semana. Cada música no álbum é uma pérola, o som de Ludella é de arrepiar, tanto que acabei tocando na rádio essa música e para ela não ficar lá desamparada, reuni ela com outras dos mestres do blues em um bloco que remeteu ao Mississippi, Memphis, Tennessee e a aura que rodeia o blues. Ainda bem que achei esse álbum, foi ele que me arremessou para a viagem redescobrindo o blues, não consegui ficar somente nele, precisei de mais, de mais e de mais blues e nessa corrente acabei descobrindo artistas formidáveis e redescobrindo outros.

Não dá pra se dizer rockeiro e não gostar de blues, assim como também é impossível ouvir um blues e não vibrar ao som da música, não tem como ouvir blues e ficar indiferente, mesmo que você seja um mineral, certamente sentirá a vibração desse som.

Um Ford Abraço

Sabugo

E outra vez era dia de ROCK

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            Parece até estranho quando ouvimos alguém dizer que dia 13 de Julho se comemora o dia mundial do ROCK, bom pelo menos eu acho estranho. Muito estranho… Não o fato do ROCK ter um dia mundial para ele, afinal de contas, esse tiozão merece, ele embala geração há mais de meio século e como disse o poeta/profeta ele nunca morrerá. Ele não sai da moda, não desbota, não enjoa e não é finito.

            O fato estranho é de se comemorar, eu particularmente fico bem incomodado com isso. Como é que se comemora o dia mundial do rock? Certamente seria ouvindo esse estilo musical, mas isso eu faço todo santo dia, e geralmente o dia todo. Como então que um simples mortal como eu vou comemorar tão grandiosa data sem ter nada mais para oferecer além de seus ouvidos surrados de tantos riffs de guitarra e de tanta distorção? Eu confesso, não sei como fazer, não sei como comemorar.

Acho estranho tantas pessoas comemorarem ouvindo rock nesse dia, rock é para se ouvir todo dia. Me incomoda o fato de pessoas que são fãs do sertanejo universitário, do funk, do axé, do pagode, do samba e de outros estilos, no dia mundial do rock vestirem aquela camiseta de banda, que em 96% dos casos é preta e de uma banda que elas sequer tem um álbum e se o tem, possivelmente seja um baixado da internet ou comprado no camelô. Fico perturbado também com gente que muda a foto de seu perfil no facebook por uma de um grande astro do rock para comemorar a data de 13 de julho. E para aumentar minha indignação, semana que vem essa galera vai estar numa festinha ouvindo as músicas da moda outra vez e agitando até o chão com o pancadão, ou bebendo uma gelada batendo o pé com o modão.

Não sei por que eu me desgosto com isso, sempre foi assim né. Afinal de contas se vive muito mais de aparência do que de essência. Passado uma semana tudo vai voltar ao normal e os roqueiros de verdade continuarão suas vidas como antes, como se nada disso houvesse acontecido.

Os roqueiros de verdade estão ouvindo seus velhos discos, suas bandas preferidas, trocando o encordoamento de suas guitarras, ensaiando nas garagens, subindo em palcos, viajando a caminho de algum show. E há ainda os que vão além disso, que por amor ao velho ROCK se sujeitam a tocar em condições não propícias, contrariando o bom senso das organizações de eventos, colando em risco seus equipamentos, mas estando lá, pelo amor ao velho e bom rock. Isso sim é ser roqueiro de verdade, é ter música na alma, é ir em frente, na apenas trocar a foto por um dia e vestir aquela camiseta mofada da banda.

O roqueiro de verdade vive o rock, se esfola, se desgosta, cai, se acaba mas volta a andar! E quando isso acontece, sempre tem outro roqueiro por perto para caminhar junto e fazer uma música sobre o ocorrido, regada à distorção e riffs!

Galera do palco alternativo, verdadeiros roqueiros, essa é para vocês, que o ROCK nos fortaleça e embale nossas vidas!

Um Ford abraço.

Sabugo

O Velho gosto de Ferrugem (ou seria pela ferrugem?).

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             O cara ser antiquado é sinônimo de atrasado, arcaico, obsoleto, eu sei disso, mas acho esse rótulo tão confortável, me identifico tanto com ele que hoje em dia eu já não sei mais se sou ele, ou resultado dele. Me refiro não ao sentido de ser arcaico ao ponto de se comparar com um dinossauro em pleno século XXI, mas de gostar de coisas antigas. De querer o passado em volta, sendo ele presente, afinal de contas, como já disse o grande Marceleza: Eu vi o futuro baby e ele é passado.

Eu não curto muito essas modernidades de hoje não, confesso. Tem muita coisa nova de estilo, de moda, de música, de visão política, geológica, extraterrestre, mecânica, automotiva, histórica, televisiva, comportamental, medicinal, quântica, literária, etc. que eu não curto não. Tudo bem, convenhamos que algumas modernidades são boas, deram alguma (eu sei, muita) contribuição para a humanidade.

Mas essas novidades não têm o gosto da ferrugem, não tem o perfume do formol, nem a poeira do tempo, muito menos a nostalgia das coisas de antes. Os tempos mudaram, o jeito de se ver as coisas também, de se fazer elas e de se cuidar.

Eu sou do tempo que carro era membro da família, tinha que saber o básico, o feijão com arroz da mais básica manutenção. Ainda hoje eu não deixo ninguém ver o óleo ou a água do meu Maverick, eu mesmo faço isso, calibro os pneus e abro a tampa do tanque para o frentista.

Ainda tenho meu Atari 2600 funcionando com um bom tanto de jogos para de vez em quando me lembrar da minha infância, das tardes que para o sol não atrapalhar a gente cobria a janela com um cobertor xadrez e passava horas e horas jogando river raid. E como era bom, tinha até nescau geladinho! Minha coleção de bolicas (bolinhas de vidro, ou mesmo bola de gude) ainda está a salvo dentro de uma caixa de sapatos, bem como os iô-iôs, meu aquaplay, as miniaturas de carros antigos e os comandos em ação.

Deve ser por isso que eu só gosto de carro antigo, devo ter dado uma parada legal no tempo. Carro novo não me chama a atenção, não são feitos como antes, com requinte, são de plástico, não marcaram época, são eletrodomésticos sobre rodas, assim que der um pequeno defeito, se troca por outro. Meus amigos sempre trocam de carro, por outro modelo mais novo, por outra marca e me criticam por investir tanto no maverick. Bom se eu quisesse outro carro, eu teria, mas quero ter meu maverick, quero ter minhas coisas antigas, puxar o freio de mão do tempo e curtir meu rockzinho antigo que não tem perigo de assustar ninguém.

Ou quem sabe ouvir um blues, bem raiz, bem acústico, tomando uma velha pinga com butiá que eu te juro, é melhor que uísque!

Um Ford Abraço

Sabugo

No Circo tem pão, mas nunca terá ROCK

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Domingo quieto por aqui, frio, céu nublado, típico inverno do sul, e aqui na região serrana só para constar, está ventando. Me lembra aqueles estranhos lugares de desolação dos filmes. Mas não foi assim durante todo o dia, houve algum tempo em que tivemos barulho, tivemos algazarra e buzinas, roncos de motores, gritos, e algum estardalhaço. Tudo isso misturado com a euforia de algumas pessoas, não ouso dizer quantas, pois não me dei ao trabalho de espiar pela janela. Acho que é pela minha mania de ser do contra, ou pela indignação, minha grande companheira.

            O Brasil, ou melhor, a seleção brasileira de futebol ganhou a copa das confederações (e o que é que isso tem de ligação com o ROCK você se pergunta), e a galera come o pão, e fica em êxtase, maravilhados, orgulhosos de pertencerem à pátria de chuteiras, como eu vi uma propaganda dizer.

Não pode ser sério isso, eu custo a acreditar. O povo tentando pela insistência de alguns bravos anônimos que caminham nas avenidas já cansados de tanta desigualdade e descaso de um governo injusto, apático, desonesto e cruel, sem falar hipócrita e inoperante barganhar por mudanças tão necessárias e vitais para nossa nação. E a mídia enaltecendo os ´´heróis´´ do campo que deixam a platéia que se dirigiu ao estádio eufórica, com ´´orgulho´´ de ser Brasileiro, inclusive estavam cantando: ´´Sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor´´. Ouvindo isso me perguntei se seriam tão orgulhosos assim ao ponto de se juntar à massa que do outro lado fazia manifestações, se sairiam do estádio e iriam exigir condições melhores.

Mas isso tudo não importa, não, definitivamente não, o errado sou eu, o perdido sou eu, a ovelha negra. Claro que sou, afinal de contas, eu me indignei e que vai acontecer? Não vai acontecer nada, a mídia manipula, o povo feliz da vida porque a seleção é campeã vai esquecer que as manifestações questionavam o gasto com a construção dos estádios para a copa. Mas agora são campeões, que venha a copa! Se a seleção ganhar, a copa é barata, e nenhum político precisa explicar os gastos, até as manifestações por um país melhor vão perder a importância, o brasileiro de verdade (aquele que a mídia diz que é o verdadeiro) vai estar entupido de alegria, ouvindo samba, pagode, axé, comemorando com  ´´çurraxco´´, será feriado todo dia que a seleção for jogar, vão comprar a camisa da seleção no camelô porque o dinheiro do bolsa tudo não dá para comprar a original.

Sendo assim, eu não sou brasileiro, eu sou do SUL, o SUL é o meu país. O Rock é minha música, minha consciência meu guia, nesse mundo digital eu insisto em ser analógico.

Só para encerrar, deixo a canção do saudoso Renato Russo e de sua Legião Urbana: Perfeição, que define muito bem a situação do dia de hoje (e infelizmente da nossa realidade vivida há décadas na terrinha do carnaval).

Um Ford abraço

Sabugo

Caminhando e cantando

Não convém falarmos de política nesse espaço, eu bem sei, entretanto, dado os acontecimentos dos últimos dias, não posso deixar o assunto sair de pauta. Nós rockeiros de coração, há muito já bradamos que a coisa vai mal, que ta feia a situação, que algo precisa ser feito e vemos isso em várias canções com letras que escritas há décadas, hoje continuam atuais. Raulzito já dizia que faltava cultura pra cuspir na estrutura, pois é Raul, verdade, faltava, parece que o povo acordou!

            Em meio à onda de manifestações Brasil afora, participei de uma, que se comparada às manifestações dos grandes centros, teve um número muito pequeno de participantes, entretanto, se analisarmos o número de habitantes da minha cidade natal, foi bem expressiva. Eu fui sim, me senti mais do que no direito, me senti no dever de participar, pois sempre defendi um país melhor, condições melhores e sempre usei a música, ou melhor, a melhor das músicas, o bom e velho ROCK para defender essa bandeira.

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Durante a manifestação, chovia e fazia frio aqui, mas isso não impediu que a manifestação se realizasse. Ao sair do trabalho eu fui para a rua e me misturei à massa, vi tanta gente conhecida, vi tantos rostos desconhecidos… Mas isso não importava, éramos um só, o povo nas ruas! Entre cartazes, entre gritos, visualizei professores, advogados, estudantes, mecânicos, jovens, idosos, homens, mulheres, todos unidos para tentar mudar a situação, para tentar melhorar a condição do povo. E eu caminhando entre a massa, não pude deixar de sentir a vibração que emanava no grito das pessoas a minha volta. Enquanto eu caminhava, como bom rockeiro, me recordava de letras e do fato de eu ser de 83, de pertencer à geração Coca – Cola, (que aliás, a letra é muito condizente com o momento em que vivemos).

Isso me fez nos intervalos dos gritos que bradávamos em coro, recitar para mim mesmo, baixinho as letras dos Inocentes – Pátria amada, da Legião Urbana – Que país é esse, do Raulzito – Cambalache, dos Engenheiros do Hawaii – 3º do plural, do Camisa de Vênus – O país do futuro, do Ultrage a Rigor – Filho da puta, Titãs – Desordem e Garotos Podres – Subúrbio operário. Não teve como conter o orgulho de ser Rockeiro e nem a satisfação de estar ali me unindo aos outros que também anseiam por um país melhor, mais justo, mais sério e honesto.

Agora, vou encerrar esse texto e ir dormir, porque amanhã é outro dia e temos mais uma manifestação aqui na terrinha do Monge João Maria (sim, sou de Santa Catarina e já tivemos revoluções aqui meu amigo, a farroupilha e a do contestado) e eu pretendo ir, afinal de contas, eu não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar.

Ainda vamos compor músicas sobre esses dias vividos, seremos amanhã o orgulha da nação e faremos jus ao legado de rockeiros que já se foram e deixaram para nós o seu legado.

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Um FORD Abraço

Sabugo

Me sinto só…

Armazém do ROCK

O Brasil agora é o país da copa né? Tem jogo de futebol todo dia, reportagem falando sobre isso 24 horas sem parar. Ah mas também é o país do carnaval, da festa junina, e agora é palco de um levante em massa de manifestações que transformaram as ruas de uma capital estadual em campo de guerra. Parece que as manifestações englobaram mais do que a indignação pelo aumento da tarifa de transporte urbano e envolvem um descontentamento em massa contra o governo.

Mas o Brasil é o país do futebol, e a mídia vai lucrar mais mostrando a bola do que as manifestações… O Brasil é o país do carnaval também, tem programa que só fala disso e vai ao ar em cadeia nacional. Mas nem só de carnaval a mídia vive, tem também a cada duas horas uma nova dupla de sertanejo universitário.

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E vendo tudo isso eu me sinto só, o carnaval não me anima, os jogos de futebol me lembram da copa que me lembra dos estádios que me lembra de quanta grana torraram em coisa que não é urgente e nem tão necessária como saúde e escola…

De tão só que me sinto, me isolo dessa pantomina e na minha clausura pego a minha guitarra, aproveito para trocar os seus captadores, trocar a ponte, o jogo de cordas, ligo para um amigo, para outro e por fim para mais um. Nos isolamos do mundo e por algumas horas alheios aos gritos dos torcedores, das transmissões de tv nosso mundo se resume ao antigo armazém do meu pai onde temos uma bateria, das guitarras, um baixo, uma mesinha de som com uma caixas. Além disso velha mobília, baleiros vazios, balcões e as cervejas geladas, isso sem falar numa cachaça curtida com butiá.

Pronto, agora não me sinto mais só! Tenho amigos fazendo ROCK junto comigo, não sou só EU, somos nós! É a banda, tocando, se divertindo, rindo, vivendo, sentindo a música fluir enquanto tocamos ela, até o ponto de se arrepiar com o som que ouvimos enquanto o fazemos. Isso não tem como explicar, só sentindo mesmo.

O ensaio dura suas 3 horas, terminamos ele e ficamos de papo, afinal de conta uma boa conversa é fundamental, bem como a avaliação do ensaio. Então guardamos os cabos, os instrumentos, as latas vazias, os pedestais, os pedais, as cifras e cada um vai para sua casa com o sentimento do dever cumprido, afinal de contas, prestamos nosso tributo ao bom e velho Rock N´Roll, claro que da nossa maneira, mas prestamos.

Então eu ligo a tv e novamente me sinto só, o ´´mundo´´ (ou pelo menos uma parcela dele) gira em torno do futebol, da copa, do carnaval… Desligo a tv, e vou dormir, afinal de contas apesar de me sentir só (já que não me incluo no devaneio da massa que ama futebol e carnaval), tive uma tarde excepcionalmente maravilhosa e nada vai mudar isso, então meu mundo gira só, mas em paz embalado pelo rock.

Um Ford Abraço

Sabugo

Nem um, nem dois, foram pungentes oitocentos e noventa!

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             Costumeiramente falo de rock, acho até que é uma obrigação nesse espaço, entretanto, vou falar mais hoje sobre automobilismo, e dentro disso, mais ainda sobre autos antigos… E ainda vou ser mais objetivo e falar especificamente do FORD MAVERICK, e sendo assim, vou falar do meu Maverick. Obviamente meu amigo leitor, que haverá rock em nossa conversa, não tanto quanto de costume, mas haverá.

            O título se refere ao número de dias que fiquei sem andar com ele, desde o dia em que resolvemos desmontá-lo para a restauração até ontem (um sábado) quando novamente ele rodou, e pude dirigir ele. Tudo bem que estava aos pedaços ainda, a restauração ainda não foi concluída, faltam algumas coisas, mas ele já roda novamente, isso é o que basta.

Foram tristes dias, afastado do meu velho amigo de estrada, de tantas horas rodadas e tantos litros de gasolina queimada, tantos quilômetros percorridos, amizades feitas, sem o som do seu motor pela estrada iluminada pela lua. Mas parece que como um sonho estranho esses dias estão passando e tornando-se num belo despertar, sonolento, lento, mas vivo, cheio de energia e resplandecente.

Ficar mais de dois anos sem andar com carro antigo não foi fácil, especialmente sem andar com meu Maverick, sem conferir o óleo e a água, sem calibrar os pneus e abastecer ele, sem dar banho e encerar meu carro… Mas eu devia isso a ele e, se não poderia andar com ele, não andaria com mais nenhum outro carro antigo, essa minha penitência e eu a cumpri resignadamente. Confesso que não foi fácil, mas era preciso. A minha relação com o Maverick não é apenas de dono, vai além, é uma interação com o carro que me foi culto de desejo desde meus oito anos de idade, é como se fosse uma extensão de mim, parte do meu ser, extrapola o materialismo, ele não é só um veículo, ele tem sentimento, personalidade, sem falar que é um grande camarada.

Quando o vi chegando da elétrica e rodando, ainda faltavam vidros, capô, calotas, maçanetas nas portas, bancos, forração interior, espelhos, pára-choques, grade, geometria, alinhamento, regulagem de carburador, de ponto, mas mesmo assim ele rodava bravamente.

O eletricista deixou ele no pátio da loja e foi embora, desci até em casa, almocei, voltei até lá com gasolina, com as borrachas de vidro e com os vidros e mais uma caixa de ferramentas. Abasteci ele, ali mesmo e meio triste por ainda ver ele parcialmente montado, confesso que estava desanimado mesmo… Embarquei nele, amarrei a porta para não abrir, usei a caixa de ferramentas como banco, coloquei a chave na ignição, respirei fundo e quando dou a partida, o motor gira por um instante, dando a impressão que não iria pegar, mas pega!

Nesse instante meu coração volta a bater, meu sangue ferve e o mundo todo se resume no ronco do motor, no contagiros mostrando as RPMs, a pulsação do velho Geórgia e sua força… Novamente volto a ser eu mesmo com meu amigo de estrada, meu fiel companheiro de quatro rodas. A magia acontece, o pé desce, a descarga estremece e os pneus cravam no chão dois riscos negros de borracha! Como é bom sentir isso novamente depois de tanto tempo! Ainda com a adrenalina alta ganho a rua, ao dobrar a esquina me vem de estalo uma música em mente: It’s A Long Way To The Top (If You Wanna Rock ‘n’ Roll) – AC/DC, isso mesmo, lembrei da gaita de foles quando virei a esquina!

O Maverick por si só é um carro que chama a atenção, mas o meu, em especial na ocasião estava chamando mais ainda, por estar ainda em fase de montagem e talvez por eu tentando proteger a pintura, ter colado papel pardo em volta de sua lataria. Foi nessas condições que eu passei por um antigo professor da faculdade que ao me ver, me acenou e sorrindo balançou a cabeça como a dizer: não, eu não acredito nisso.

Cumprimentei ele cordialmente e ao me dar conta do fato do que ele estaria pensando lembrei da letra de Highway Star do Deep Purple. E nesse turbilhão de pensamentos chegando na avenida da oficina onde eu levaria ele, mais um rock passa pela minha cabeça, dessa vez, um nacional My Way do Camisa de Vênus, sim pois rolou um filme em minha cabeça de todo esse tempo afastado do Maverick, entre oficinas, loja de peças, internet, garagem vazia e solidão, não foi fácil!

Ao chegar na oficina um amigo passa por mim, faz a volta e retorna para conversar, à essa altura eu já estava encostado no muro a pé, e com o Maverick estacionado em uma rua transversal. Foi justamente sobre o Maverick que ele me perguntou ao desembarcar de seu carro, sorrindo eu mostrei onde ele estava. Meu amigo me parabenizou pela força de vontade e dedicação, inclusive pediu para escutar o ronco dele. Claro que atendi ao pedido, afinal de contas ele é um apreciador de autos antigos. Depois disso deixei o Maverick na oficina, descarregamos os vidros e voltei para casa.

Ao final do dia eu estava cansado, mas imensamente satisfeito, grato por voltar a andar com meu carro, mesmo que só por alguns instantes, mesmo com ele pela metade, mas por ter sentido a vibração de outrora quando rodávamos sob a lua, vendo ela do retrovisor e com o vidro baixo sentia o sereno da noite misturado à canção do motor tendo os faróis como os olhos. Fui deitar e em oração cantei a canção do Iggy Pop – The Passenger agradecendo por reviver a experiência de andar com meu Maverick e acreditando em dias melhores a bordo dele, com ele completamente renovado.

Tudo isso pelo amor ao carro sim, e porque tenho ferrugem no sangue!

Um Ford abraço

Sabugo

Na contramão

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Isso não se refere ao sentido de conduzirmos nossos veículos automotores, obviamente que você entendeu não é? Quero falar sobre a tendência do ´´mercado´´ da moda, ou melhor da ´´empurroterapia´´ que o mercado fonológico hoje faz.

À custa de muito jabá (velho incentivo monetário) as rádios comerciais tocam as músicas de certos artistas para fazer aquele grude no seu ouvido e esse chiclete pegar tanto que você vai acabar cantando a letra mesmo sem gostar da música. Já se pegou fazendo isso? Aposto que sim! Mas calma, infelizmente isso acontece com todo mundo.

E parece que fazem de propósito, parece que a maioria dos lançamentos hoje não repercute bom senso, muito menos música de verdade. Todo bem, posso estar sendo um pouco radical, mas acredito que não estou falando sem ter razão. Eu cresci ouvindo Raulzito, Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii, Camisa de Vênus, Titãs, Ira! e ali eu encontrava letras, sentimentos, sentido nas músicas. Elas diziam coisas que a gente sentia, que eu queria falar, mas que eu não sabia como.

Como era bom ligar o rádio e numa fita K-7 gravar a música para ouvir depois, eu ficava lá torcendo para o locutor não soltar nenhuma vinheta no meio da música para a gravação sair perfeita, e quando saia, como eu vibrava! Nossa, parece que foi ontem que eu ia até a casa do vizinho ligar para a rádio para pedir música. Sim, eu fazia isso, a gente não tinha telefone, pois era caro pra caramba e celular nem existia naquela época.

Já nos dias de hoje, a coisa mudou muito, cada um tem um celular, que infelizmente não tem fone de ouvido e fica ouvindo verdadeiros lixos sonoros com o volume alto, fazendo você ouvir também.

Felizardos são os que como eu, andam na contramão, relembrando músicas do passado que marcaram nossas vidas, que tinham sentido e tentando mostrar para a nova geração que essa música do momento é carente de sentimento e de letras que atravessem os anos sendo verdades incontestáveis, como foram letras de outrora.

Sabe, eu acho que tem muito mais valor a cena underground da tua cidade com bandas locais do que estádios lotados de pessoas que vão ao show porque é a música do momento e todo mundo ouve. Música boa não tem data de validade, não toca o dia todo na rádio, não é empurrada ouvido a dentro na marra, pela força de execução e pela repetição.

Tão velho quando um dinossauro, sou do tempo em que música para ser boa, para ser um sucesso precisava ser gravada, lançada, tocada na rádio, pedida pelos ouvintes, e a banda ter um show lotado por uma platéia que sabia a letra de cor, isso sem falar nas camisetas com as letras estampadas. Hoje o processo se inverteu, a mídia diz que é sucesso, faz rodar sem parar e aí o povo assimila e acredita que aquilo lá é realmente sucesso… Tristes dias esses.

Relembre as músicas boas que já não rodam tanto nas rádios atualmente, apoiem a cena musical da sua cidade, compareça nos shows das bandas locais, essa é a chama que mantém viva a essência da boa música.

Um FORD abraço

Sabugo

Gasolina, Ferrugem n´Roll e Camaradagem

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Pode acreditar que sim, pode ter total certeza que essa trindade anda junta, sólida e bem atual, apesar de já antiga pela face da terra. Quem ainda duvida, eu explico mais adiante, afinal de contas, eu sou prova viva disso.

Quando você é antigomobilista, assim como eu, você acaba virando amigo de muito mecânico (imagina só o motivo…), e também de muita gente que tem essa paixão pela ferrugem, por coisas antigas e claro, por carros antigos. É esse caminho que vai te levar para os encontros de carros antigos, para os fóruns de discussão e para os contatos via e-mail, telefone, faz, sinais de fumaça, com quem tem peças para vender, ou quem precisa de uma informação ou outra sobre algum problema no veículo.

Ligado aos automóveis antigos tal qual o radinho do painel de cada um deles está o velho e bom Rock and Roll, coisa muito difundida no meio dessa galera. E peculiar é que, quem não é fissurado pelo som, pelo menos curte um monte. Posso afirmar que a maior parte do pessoal que conheço dessa praia da ferrugem é roqueiro. Isso prova o bom gosto da galera.

Depois de tudo isso entra a questão da camaradagem, afinal de contas em um grupo de discussão de autos antigos, o assunto acaba extrapolando o capô do bólido e passa por se tornar um boteco virtual sem álcool onde rolam assuntos diversos e criam-se amizades verdadeiras. Tanto é que em um certo grupo sobre Ford Maverick conversamos desde música, até informática, de construção até ajuda com hospedagem em caso de viagem, busca de emprego, etc., chegamos até falar de Maverick lá!

Até que um belo dia tudo isso se junta e, isso aconteceu na última semana.

Eu sempre cacei pela região um show do Wander Wildner para ir, mas em todos esse anos, o mais próximo passou dos 200 km. Wander Wildner é um artista que merece muito mais destaque do que o que recebe. Ele já fez turnê pela Alemanha, roda o país todo, teve música nas paradas de sucesso, quem não lembra da música Bebendo Vinho que o Ira! gravou? Pois é, a música é dele. Sem falar na música Maverickão que é um hino pra gente que tem esse carro.

Foi por intermédio de um amigo da lista que fiquei sabendo que na cidade vizinha que ele mora, haveria um show do Wander. Eu aqui, longe pacas do interior de São Paulo, não tinha a menor chance de ir. Meu amigo foi e de sacanagem, foi com o Maverick dele (que vontade de andar com meu), e no auge da camaradagem após o show se encaminhou para o camarim e gentilmente recebido pelo artista, adquire um Cd, pede um autógrafo e vai para casa. No outro dia, pela internet, pede meu endereço residencial para me mandar o referido Cd e o autógrafo.

Então, agora me conta se não andam as três coisas juntas? Sempre andaram, é muita camaradagem tu ir num show com teu auto antigo, pedir o autógrafo e mandar para um amigo que é roqueiro e mora longe de você.

Amizade é uma coisa que não tem como se pagar a não ser com amizade!

Um Ford Abraço
Sabugo

Qual o modelo?

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Quem nunca tocou guitarra no ar ouvindo um bom rock, seja isso em casa ou no show em meio à platéia? Muita gente faz isso, estando ou não em estado ébrio. A grande questão é quando você para de tocar no ar e começa a tocar de verdade.

Já temos vários guitarristas que nos servem de exemplo e os quais queremos conhecer mais o estilo de cada um deles, ter um som parecido com o dele, ter aquele timbre, aquela pagada. Aí se nós formos falar de guitarristas vamos de Manú Rafaelli até Stevie Ray Vaughan passando por Page, Hendrix, Clapton, Angus, Slash, Magic Slim, Chuck Berry, entre tantas outras lendas.

Eu quero é deixar de lado essa aura mágica que envolve esses nomes imortais das guitarras e falar apenas sobre seus instrumentos, sobre os modelos de guitarras usadas por eles, o que de certa forma também influencia os fãs e iniciantes a guitarristas.

Modelos de guitarras temos vários para nossa escolha, desde os mais estranhos, ou não tão comuns por assim dizer, até os mais tradicionais, neste último grupo passamos por Stratocaster (imortalizado por Hendrix, Clapton, Gilmour, Mark Knopfler, Stevie Ray), Les Paul (Page, Slash), SG (Angus Young, Frank Zappa, Robby Krieger), as semi acústicas de Chuck Berry e B. B. King, a Mustang que Curt empunhava, isso sem mencionar as Jaguar, Jazzmaster, firebird, explorer entre outras.

Às vezes não temos a guitarra dos nossos sonhos, e quando temos, logo ficamos instigados a dar uma melhorada nela, afinal de contas, ela é uma extensão da gente. Sempre temos nossa preferência seja pelo visual, seja pelo estilo de música, ou pelo som que nos maravilha daquele instrumento. Seja ela mais pesada, mais agressiva, mais recatada, não tão colorida, com 1, 2, 3 ou quantos captadores couberem nela, é com ela que faremos nosso som, que daremos a sonoridade às músicas que vamos tocar.

O timbre é uma coisa mais complicada de se conseguir fielmente aos originais, pois não depende unicamente da guitarra, mas sim de uma série de fatores como captador, pedal, amplificador, válvula…

Claro que achamos esse modelo mais bonito que aquele outro, que queremos aquela guitarra e não essa, afinal de contas o modelo escolhido é a imagem do estilo a se seguir.

Agora tem o outro lado da moeda. Podemos assim como Seasick Steve usar uma caixa de madeira, colar um captador, furar ela, passar um Jack, instalar um potenciômetro e obter um som distorcido, tocar com slide e fazer a maior sonzêra!

O modelo é da tua escolha!

Um Ford Abraço

Sabugo.

Um tributo a Muddy Waters

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Não sou muito de escrever sobre um nome, ou uma pessoa… Mas isso se faz necessário e nesse caso, faço como o maior orgulho, faço em dívida como que prestando um tributo mais que devido, praticamente uma oferenda de gratidão. O cara merece, mesmo que já seja póstuma (acho que está virando rotina isso) a homenagem é válida. Sabe, ele poderia ter sido qualquer um, passar despercebido nesse mundo, não ser ninguém, mas não! Ele foi além da existência pífia e deixou um legado que é imortal, virou lenda, mito, ídolo, exemplo, falo de um tal de McKinley Morganfield.

Por brincar em um rio ainda garoto ganhou um apelido que virou seu nome artístico Muddy Waters (águas lamacentas), esse garoto nasceu em uma longínqua Issaquena, ainda condado do Mississipi nos EUA nos idos de 04 de Abril de 1915, teve uma infância sofrida, viu muita coisa rolar (até a quebra da bolsa em 1929, primeira e segunda guerras mundiais, woodstock… nossa!), e aos treze anos quando ganhou sua primeira harmônica, já ia tocar na rua para conseguir comida. Por essa época conheceu Son House que além de o influenciar, foi seu instrutor e o ensinou a tocar guitarra, já pelos dezessete anos de idade.

Foi o pai do Chigado Blues, influenciou gerações e foi um dos pioneiros no uso de guitarra elétrica no estilo Blues. Inclusive, posso afirmar que esse cidadão é o resumo do Blues! Sua voz mansa, forte, seu compasso, suas letras, a melodia marcante e o compasso cadenciado do Blues de Muddy Waters são inconfundíveis, únicos.

Ah, para se fazer uma nota aqui, reza a lenda que foi Muddy Waters que ajudou Chuck Berry a conseguir seu primeiro contrato. Fora isso fez coisinhas ao longo da carreira como tocar com Buddy Guy e Willie Dixon, além de  influenciar os Rolling Stones, Led Zeppelin.

Exatamente no dia em que nasci, perdemos Muddy Waters, falecido em 30 de Abril de 1983, vítima de insuficiência cardíaca. Coincidência esse fato dele falecer exatamente no dia em que nasci e estava apanhando para poder chorar, ou não, a primeira vez que ouvi Muddy Water fui de imediato conectado com o sentimento mais puro e sublime do blues, o álbum emanava a essência desse estilo fantástico de música, que nada mais é do que sentimentos transformados em melodia simples, visceral e verdadeira.

Obrigado Muddy pelos mais de 40 álbuns, pela dedicação e primazia de suas composições. Até hoje, já passadas 3 décadas de sua morte, quem ouve um de seus álbuns, não fica indiferente, sua música é contagiante. Meu primeiro álbum é ironicamente o seu último, lançado em 1981 o King Bee tem pérolas que a nova geração deve ouvir e se espelhar, logo depois que voltar da viagem maravilhosa que só o Blues pode proporcionar.

Um FORD Abraço.

Sabugo.

Quando o Roqueiro não é roqueiro…

Parece estranho o título aí em cima, parece mesmo. Mas eu posso explicar numa boa. Não é o caso da molecada (ou não) que ouve uma música do AC/DC e pensa que entende tudo de rock, nem do desavisado que vestiu uma camiseta do Iron Maiden e pensa que é roqueiro desde que nasceu…

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Eu me refiro quando quem é roqueiro não é um roqueiro, mas sim um personagem roqueiro… Ficou embaralhado? Está bem, vamos facilitar a coisa para você então, vou dar não um exemplo, mas sim o único e verdadeiro exemplo, o mais visceral e conclusivo possível: Wood e Stock. Não, não é o festival paz e amor que rolou em agosto de 1969 (até hoje me pergunto onde é que eu estava que não compareci num evento desse…), estou falando dos personagens de histórias em quadrinhos o Wood e o Stock.

Eles foram criados pelo cartunista brasileiro Angeli (Arnaldo Angeli Filho), são dois amigos das antigas que pararam no tempo, um deles, o Wood constituiu família, mas assim como o Stock ainda vive no ritmo da década de 60.

Os anos passaram para eles, hoje já estão a ´´meio pau´´ curtiram demais, a barriga cresceu, os cabelos também (os que ficaram obviamente) ao redor da careca, mas eles estão lá.

Wood e Stock são o retrato dos roqueiros de verdade, vivem girando ao som do ROCK, de Raulzito até Hendrix, passando por Clapton, Lennon, entre outros grandes nomes do Rock. Apesar da avançada idade estão lá, firmes e fortes no desejo de montar uma banda de rock, ouvindo velhos discos e mantendo uma amizade de décadas.

Impossível não rir com as peripécias dos dois velhotes malucos que fumam orégano, seus papos cabeça, suas divagações, ver que o tempo deles é dividido entre o ócio e o rock. O cartunista impregnou muito bem a essência do roqueiro, obviamente com alguns distúrbios de brinde, alguns vícios, mas é primoroso o cuidado que Angeli tem ao se referir em Rock dentro das tirinhas, sempre com bom humor e com uma visão um tanto psicodélica da vida.

É fácil eu me pegar lendo as tirinhas de Wood e Stock ou vendo o filme deles e me perguntando se não tem muito de mim ali daqui a alguns anos… bem, isso só o tempo irá dizer…

Um FORD abraço.

Sabugo

Adolescente de Trinta

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             Maravilha se os anos não corressem tão depressa para os roqueiros, se ficássemos incólumes perante os anos, mas esse corcel alado insiste em nos carregar e é ele (o tempo) que no bater de suas patas dita o ritmo dos anos…

Pior de tudo é que comprovamos amargamente que os idos anos não voltam mais e precisamos refazer a cada dia nossa história. O problema é o saudosismo que carregamos em nós, o jeitão de andar para frente sempre olhando (e comparando) para o que ficou para trás.

É como diz a canção da Turma da Pompéia: ´´O tempo foi passando e as idéias se modificando, como todo adolescente de trinta eu parei para pensar, o futuro no tempo´´. E fazendo isso agora, chegando aos trinta, o corpo dá uns sinais de idade sim, mas o sonho é eterno, nunca pode acabar, e ele continua lá, latente como nunca.

Antigamente a gente encarava a vida na maior, havia shows de rock que eu gostaria de ir, bandas que me influenciavam, caras que eu queria ser igual, tocar igual, sonhos para realizar! Hoje eu já vi um bocado de coisas rolarem, já conquistei algumas coisas, realizei tantos sonhos e os meus ídolos, heróis da música jazem em paz, não fazem mais turnês e se sair algum álbum novo deles será um álbum póstumo. Os novos que aparecem não fazem jus aos ídolos que outrora empunharam guitarras, microfones e fazendo uso dos palcos, levaram multidões ao êxtase embaladas pelo rock.

A vontade de ter uma banda de Rock me acompanha desde os primórdios, algumas vezes diminuía, outras se agigantava, mas sempre esteve lá e hoje graças aos amigos e esta vontade persistente estamos aí, novamente tentando. Entrementes, já com 3 décadas no ´´lombo´´ hoje cultuamos coisas que há muito se foram, e nos pegamos falando de acontecimentos longínquos como se tivessem ocorrido ontem.

É bem verdade que nessa fase da adolescência em que me encontro (a fase dos 30), somos bem mais seletivos, mais ranzinzas, mais comprometidos e comedidos. Mas quando o assunto é o bom e velho Rock n´Roll o fator idade se dissolve, perde importância e amplifica a nossa energia fazendo nos sentir como a molecada na garagem durante o ensaio, sonhando com o palco, com vontade de colocar o disco da banda preferida para rodar e deixar o volume no talo, comprar vinil, ler os gibis do Groo…

Chegar aos 30… Meia idade, com algumas certezas, muitas vontades e carregando o rock desde que ouvi ele pela primeira vez até que foi fácil, passou tudo tão rápido… A questão é saber se vou chegar a ser um tiozão rockeiro de barba branca andando com meu Maverick por aí e plugando a guitarra com a galera da banda, eu vou trocar sem nenhum ressentimento minha bengala por uma Les Paul.

Um FORD abraço.

Sabugo

A pegada

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             Quando nos parece que atualmente a coisa toda se repete e já não há sob o sol nada mais de novo, surge de repente em nossa frente algo novo, tudo bem, talvez nem tão novo assim, mas pelo menos, digamos, diferenciado.

É na contramão das bandas de plágio, dos covers por assim dizer que as bandas com alma, com a tão necessária ´´pegada´´ se apresentam. Não quero de forma alguma desmerecer o trabalho das bandas covers, pois são elas que trazem a sonoridade parecida, muito semelhante e praticamente iguais (em alguns casos) das bandas de nossos ídolos, ou das que a gente curte tanto mas, que nunca vai conseguir comparecer a um show delas.

A questão é realmente a pegada, há bandas por aí que são covers, fazem tudo igualzinho, mas não fazem com sentimento, não empregam a alma na música, executam roboticamente os acordes, fazem as viradas no tempo certo, solam com maestria identicamente ao original, porém sem interação, como se fossem programados para fazer. Não interagem com o público, não vibram em sintonia com a música, tocam bem, super bem sim, altamente fiéis à sonoridade original, entretanto parecem estátuas sobre o palco que emitem sons.

É aí que entram as bandas com pegada, não são como as outras, erram, não usam os mesmos efeitos, trocam o tom, mas vibram com o som que fazem, tem alma, tem a assinatura dos integrantes em cada acorde emitido. Essas são as bandas com identidade, que vão além da música que está sendo tocada, elas fazem o seu próprio som. Fazem a releitura dos clássicos de outrora com a sua visão, com suas limitações, mas são verdadeiros, transparentes e originais. Não por tocarem as músicas de outros, mas por tocar essas músicas da sua maneira.

Aí entra uma outra situação que geralmente é confusa para a maioria dos integrantes da platéia: A banda cover e a banda tributo. Existem covers fiéis na íntegra, mas que não tem alma, e tem os covers que também são fiéis e têm alma… Mas não saem da linha. Já os tributos esses sim me agradam mais, pois fazem uma releitura, uma interpretação das músicas, colocam sua assinatura, usam a pegada da banda para fazer aquela canção. Não são cópias fiéis, é bem verdade, mas deixam aquela canção tão conhecida por você com uma sonoridade repaginada, diferenciada e com toda certeza vão embalar você no meio da platéia.

Não importa se soou um pouco diferente do original, importa se a banda está dando de si, está se empenhando em deixar sua impressão digital na obra, se está colocando seu DNA na música, se fizerem de coração, colocando seus sentimentos, não será só um cover, será uma interpretação, vai ter parte da banda lá, serão originais tocando com seu estilo os clássicos de uma outra banda de mais sucesso.

Um FORD abraço.

Sabugo

Do vinil ao vinil

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             Me pego aqui imaginando os idos anos 50 lá pelas terras do Tio Sam, o solzinho de final de tarde, as pin-up´s desfilando com seus vestidos de bolinha, cadillac e ford custom passando pela rua em frente das casas de madeira, brancas e sem cercas, todas com gramados aparados e árvores no jardim. O carteiro jogando o jornal da sua bicicleta, sem parar para isso, as crianças brincando na rua… E lá dentro da garagem, eu arrumando o carburador do meu fairlane ouvindo no toca discos um álbum do Chuck Berry.

Áureos tempos, vários Lp´s, muita brilhantina, mecânica fácil de fazer, segurança, um mundo sem drogas onde o sinal de rebeldia era erguer a gola da camisa, mascar chiclete, usar topete e ouvir rock and roll.

Poxa, como deveria ser legal ir aos bares, encontrar as famosas juckebox e escolher as músicas da hora: Maybellene, Oh boy, Peggy Sue, Race whit to devil, Rit it up, Good golly miss molly, The great pretender, Rock around the clock, Whola lotta shakin goin´on, entre tantas outras. Pense em quantos álbuns maravilhosos você poderia encontrar na loja de discos! Pérolas gravadas no vinil, pepitas de ouro de um e de outro lado do Lp, sons que fariam a revolução da música no mundo, nomes que seriam imortais dentro do Rock.

Seria em um final de semana o encontro com um desses imortais, que na época ainda estava em pleno apogeu de seu sucesso. Você caprichava na brilhantina, engomava a camisa, dava aquele trato no carango e com parcas economias se encaminhava para ver o show que iria rolar. Mesmo sendo um show mal visto por seus pais, eternos conservadores, você iria, afinal de contas aliado à sua rebeldia era seu bom gosto musical, para você não fazia diferença se o rock and roll em seus primórdios era vítima de preconceitos por não fazia distinção de raças (já naquela época ele quebrava tabus e derrubava barreiras!!).

Quem diria que esse seria o cenário do nascimento do ritmo mais empolgante do mundo, que dessa época se originariam as mais variadas vertentes do Rock, que até hoje cultuaríamos aquela década e seus frutos…

Deve ser por isso que quando coloco um vinil dos artistas dos primórdios do rock para rodar, me transporto para aquela nostálgica época, sinto tudo outra vez como se eu já estivesse alguma vez no passado vivido ela intensamente. O som do vinil não é apenas música, é aura, ele te envolve de uma maneira única, impregna o ambiente, transcende os limites da música! É simplesmente mágico, incomparável e maravilhoso!

Um FORD abraço

Sabugo

Toca Raul!

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Tanto tempo depois, e o assunto ainda vem à tona… Ele não sai de cena, passam anos, décadas e ele bate à porta. E não é um assunto chato não, é muito bom de voltar a se falar disso, além de agradável, me traz um tanto de esperança no futuro, mas por outro lado, confesso que fico intrigado.

O assunto da vez é o nobre, inesquecível, atemporal e inigualável Raulzito (Raul Santos Seixas) que nos deixou num fatídico 21 de agosto de 1989. Por qual motivo suas músicas não saem de cena? Dever ser pelo conteúdo, pela mensagem contida, pelo conteúdo. Sim, Raulzito não foi um cantor exímio, ele era o cara que com um violão na mão sentaria na calçada e tocaria assim como eu ou você fazemos, nada de mais. Entretanto a suas letras que estavam a 10.000 à frente de seu tempo continuam reverberando pelos quatro cantos as verdades imutáveis e as mazelas do cotidiano, as facetas dos medos, das paranóias e a vontade de mudar o mundo.

Não é pelo fato de eu ser um Raulseixista que escrevo esse texto, é pela experiência vivenciada por mim na última semana. Rolou uma apresentação em uma casa noturna na minha cidade onde se apresentaria um cover do Raulzito, que chegando lá eu descobri que era na verdade um tributo, mas tudo bem, o artista estava vestido a caráter e muito semelhante ao saudoso maluco beleza, até a voz era parecida.

Tudo bem que o cover do Raul abusou no uso playbacks, mas a encenação era perfeita, ele com sua guitarra acústica pouco tocou, não explorou muito o vasto repertório que o Raul possuía, talvez por já ter um playlist do show, mas tudo bem, mesmo assim cumpri tabela, compareci e como todo bom fã, bradei a velha frase de Toca Raul!

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Chamei a atenção de um amigo que foi comigo (e vale a pena ressaltar que o cara além de músico, professor de guitarra dos bons é metaleiro), para a platéia que se fazia presente no evento, havia crianças no colo de suas mães, molecada, adolescentes, jovens, adultos, e até gente já com cabelos brancos e mais de cinco décadas vividas. Quanta diversidade de público para ouvir músicas de quem já se foi há mais de duas décadas e que em alguns casos as próprias canções já chegam a ter mais de trinta e cinco anos! Somente Raulzito (aqui em nosso país) para fazer isso.

Casa cheia, muita gente cantando junto, bracinhos erguidos, mandando pedidos de músicas em papéis pelos garçons, sem se importar se era playback ou não, simplesmente relembrando a memória do maior Rocker brasileiro do seu tempo, de um ícone que foi e ainda é ídolo de várias gerações, que inspirou artistas renomados e anônimos, que é reverenciado em todos os shows por alguém na platéia que de punho cerrado brada para a banda que está sobre o palco: Toca Rauuuullll!!! Voltei as três da matina para casa com isso na cabeça, só Raulzito para ainda hoje reunir platéia, embora que através de outros, mas ainda em memória de seu nome e seu legado.

Sim, sou fã dele e não de hoje, e muito menos só até amanhã, enquanto eu viver, vou ouvir Raul Seixas, vou tocar as suas músicas onde quer que seja. Pelo motivo de que eu gosto, de que é bom e principalmente porque a nova geração precisa conhecer música de verdade, parar de lek, lek e saber que um corcel 73 é muito melhor, superior e duradouro que um reles camaro amarelo.

Um FORD abraço

Sabugo

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Ao acaso, por acaso não existe.

             Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo: Dois anos do retorno de nosso programa Mundo do ROCK ao ar na rádio, quase dois anos que desmontei meu Maverick e até agora não andei com ele, reforma, pedido de facas parado, inverno chegando, aniversário também, páscoa, ponte de guitarra estourada, unha descolada e tanta coisa mais…

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            Acho que é aí que mora a graça da vida, no turbilhão, no meio do redemoinho, de repente você encontra algo que te faz parar, tudo continua girando em torno de ti, mas apesar de você ter consciência disso, só existe por um tempo aquilo para você, o restante que está à sua volta parece perder a importância momentaneamente. E é algo muito bom essa experiência, essa percepção, é uma fuga sadia da correria mundana. Eu encontrei ela nessa final de semana por acaso, ou não, talvez não seja mero acaso.

Não creio que seja por acaso não, seria muito acaso quatro amigos se reunirem para tentar tocar ROCK, sendo dois deles irmãos, e depois de algum tempo os mesmos estarem com a avó completando 94 anos e organizarem uma festa para toda família convidando os outros amigos para irem até lá tocarem um pouquinho de ROCK, mesmo sem ensaio, sem repertório… Seria muita obra do acaso também, na referida família existirem mais músicos, sendo 3 bateristas e lá no salão de festas estar mais uma bateria montada…

Com certeza o ROCK não é obra do acaso, e depois da passagem do som (gente, calma é tudo amador!) quando a guitarra plugada empurra distorção, o baixo vem para a festa, a bateria marca o ritmo e o vocal puxa a música até então mais ensaiada para dar a segurança necessária para a modesta, repentina e rápida apresentação, a magia acontece. Não há espaço mais para se encabular, não o rock não permite, não bate a insegurança, pois o rock não deixa, não precisa de repertório, as músicas vêem à cabeça e se um não sabe a letra, o outro sabe, se não se lembra a letra toda, repetimos o refrão mais de uma vez.

Improviso, é sim, estou falando de improviso, de reunir dois bateristas que nunca tocaram juntos, de lembrar uma música e pegar no tranco, de fazer ROCK AND ROLL! Isso é sublime, é um transe, um deleite em puro êxtase, você é transportado dali, a platéia na tua frente, a música em teus ouvidos, a energia da música, duas baterias, coração disparado, cabeça a mil, mas em paz, e pelos poros exalando Rock and roll. E no meio disso tudo, sem repertório definido, sem ensaio, durante a troca dos bateristas (sim, havia duas baterias e quatro bateristas) ouço uma voz pedir com um grito para tocar Raul, e nesse momento todo o turbilhão a minha volta parou, só havia aquele pedido. Sorri e com prazer inigualável fiz a frente e puxei um Raulzito para a festa.

Pouco me importa se cheguei em casa as 02:00 da matina carregado com bateria, cubo, guitarra, cabo, e no domingo de páscoa tive que levantar cedo para descarregar tudo, me importa que nesta época do ano, da páscoa, o sentido de nascimento toma forma, as mais variadas possíveis, e são nelas que encontramos a chave da vida.

Um FORD Abraço

Sabugo

            Minha gente, o tempo passou, mas conseguimos fazê-lo voltar, embora que em partes somente, mas conseguimos!

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            Ainda lembro de quando na adolescência eu via aqueles caras tocando rock nas festinhas, nossa, a gurizada era o que havia! Sim, todos conheciam eles na cidade, eram assunto, todos queriam ser amigos deles pois eles tocam rock. Isso foi há um bom tempo já, tanto que a adolescência passou, a banda deles também, mas deixou dois cd´s independentes gravados que eu particularmente me orgulho de ter ambos.

Mas o tempo se encarrega de moldar as coisas à nossa volta e como não poderia deixar de ser, mudou o cenário, a banda se desfez, cada um foi para seu canto e ficamos sem nossa banda querida da rapaziada da cidade. Dessa banda temos hoje músico, radialista, odontólogo e professor.

Anos mais tarde aqui na cidade surgiu um bar denominado i9 que contava com um ambiente underground, naquela época foi o primeiro pub que tivemos aqui. Não era lá tão grande não, mas era muito bom e bem freqüentado, e como o nome sugeria, ele tinha um diferencial, uma inovação: no canto da parede, perto do banheiro havia um palco com instrumentos montados sobre ele. Toda quarta esse palco era disponibilizado para o pessoal que freqüentava a casa fazer uso, fosse solo, dupla, trio ou banda.

Me lembro de uma vez em que fui lá numa quarta dessas com alguns amigos tomar umas cervejas, nessa ocasião o fato tornou-se memorável. Convidei um amigo para o vocal, outro para o contrabaixo, um para a bateria, outro que estava ao lado se prontificou para assumir a guitarra e eu peguei um violão. Subimos par o palco e sem nenhum ensaio, tocando todos juntou pela primeira vez mandamos: Ciúme – Ultraje a Rigor, Eu tenho uma camiseta escrita eu te amo – Wander Wildner, Meu amigo Pedro – Raul Seixas e Homem primata – Titãs. Foi tudo de improviso, mas a galera curtiu e por anos quando a gente se via, comentávamos o feito.

Mas eis que nesse final de semana voltamos no tempo, todos já na casa dos trinta anos, em uma tarde chuvosa de sábado nos reunimos para tocar o bom e velho Rock, ao nosso modo é claro. Num porão apertado, em meio às tralhas de montaria, as barricas de cachaça, ao freezer, as bicicletas e bancos estavam quatros amigos, duas guitarras, um contra baixo e uma bateria parcial onde só se encontravam nela o bumbo, o surdo, a caixa e o chimbal. Com esse abarato, confinados ali embaixo, estavam dos quatro presentes, três amigos que subiram ao palco naquela vez há tanto tempo. Tocamos quase a tarde toda, foi visceral, não foi perfeito (óbvio que não, o baterista é profissional, a gente não é, e mesmo que fosse, precisaríamos de ensaio), mas exalava rock o porão! Nos sentimos vivos, relembramos sucessos de outras épocas, fizemos música, prestamos nosso tributo aos rockeiros que já se foram.

Não importa a tua idade, importa é o que você está fazendo. Essa tarde assim como aquela quarta-feira no i9 foi memorável, vamos repetir com toda certeza, vamos reunir os amigos outra vez e o porão vai ser um lugar para se tocar e ouvir ROCK.

Um FORD abraço

Sabugo.

Os homens passam, as músicas ficam

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Cada vez a coisa fica mais complicada não é mesmo? Com o passar do tempo vão-se findando os nomes que compõem o cenário musical do Brasil e do mundo. Ultimamente tivemos perdas, lá se foram Alvin Lee (alguém aí da nova geração sabem quem foi ele?) e em terra brasilis perdemos o Chorão.

Alvin Lee fundou lá nos idos anos 60 uma banda chamada Ten Years After que despontou no Woodstock graças ao seu talento como guitarrista, o que propiciou um espetáculo à parte na apresentação da banda, tornando o feito memorável. Entretanto sua carreira solo não despontou com tamanha evidência (infelizmente).

E por aqui, foi-se a figura singular, polêmica e irreverente do Chorão, cultuado por muitos, marginalizado por outros. Não me cabe definir ele, nem quero, apenas quero pegar o gancho de sua partida repentina para abordar o assunto que me flagrei pensando quando soube da notícia de sua morte. Não foi o primeiro do meio musical que eu vi partir, e aposto que também não será o último.

Tantos nomes nos deixaram, tanta coisa ficou sem ser feita, ou será que as obras ficaram como deveriam ter ficado? Eu me despedi do Raulzito, Renato Russo, Celso Blues Boy, Chorão, Chico Science, Cazuza, Cássia Eller, Freddie Mercury, Rick Wright, Stevie Ray Vaughan, Dio, Kurt Cobain, Magic Slim, e muito mais gente boa por aí.

Claro que os homens passam e as músicas ficam, mas caramba, estão passando muitos e muito rápido! Cada dia que passa a música fica mais pobre, ficamos mais nostálgicos e apegados ao passado, ao tempo que não volta mais. Triste ver que tudo isso é cada vez mais intenso e violento, que não podemos fazer nada para mudar essa realidade.

As coleções de Cd´s irão se completar, nossos ídolos não irão mais compor materiais novos, e virão nas rádios verdadeiras avalanches de músicas ruins feitas pela nova geração. Não é que não tem coisa boa, é raro mas ainda se encontra, porém em menor número. E convenhamos que não estão vindo nessas gerações nomes e talentos à altura dos citados acima que consigam ocupar o lugar deles ou o vazio deixado pelos mesmos. Sem comparar é claro, mas nunca mais veremos letras como as de Renato Russo ou uma banda como Led Zeppelin sem ser em vídeos tape ou nos álbuns dos mesmos.

É, fico aqui pensando, pensando, pensando… olho para meus Cd´s e volto a ouvir cada um deles, afinal de contas o que é bom, está no tempo passado.

Um Ford Abraço

Sabugo

Todo dia é dia de ROCK

Todo dia é dia de rock, essa verdade aplica-se há décadas em nosso planeta e francamente espero que não seja extinta. Todo santo dia, eu ouço rock e ouço praticamente o dia todo, mesmo no trabalho. O rock é um ritmo que não cansa, não enjoa, não sai de moda, a moda é que muda, mas não se agüenta e recorre ao rock para se reinventar, a maior prova disso é que a grande parte das rádios comerciais desse país insistem em tocar o som da moda: sertanejo universitário, acontece que, se tu prestar atenção em comerciais, a música de fundo é ROCK! Ele nunca saiu da moda!

            Mas o meu assunto vai além dos comerciais da tv, é muito mais intrínseco! É no ar que se respira que o rock está. Mesmo ouvindo ele durante todos os dias da semana, praticamente o dia todo, chega a sexta-feira e vamos para a rádio fazer nosso programa semanal de três horas de duração para tocar esse som fenomenal, cosmopolita, único e insuperável. E lá dentro do estúdio, com as caixas de retorno no ´´gás´´ (ou seja, caro leitor: NO TALO) esquecemos os perrengues mundanos e em sublime êxtase viajamos no som, bebemos nas fontes puras de um blues para nos abastecermos da essência do rock n´ roll, e embalados por riffs poderosos nosso coração bate em paz. Sorrimos com o solo, cantamos com o Celso: aumenta que isso aí é rock n´roll. Imaginamos o próximo som a ser tocado… e confesso, só baixamos o volume do estúdio quando toca o telefone para atender o ouvinte.

Não importa se esperamos a semana toda para isso, nem se no sábado a gente tem que levar as 06:30 para trampar depois de ter que fechar a rádio a 00:00 e levar mais meia hora até chegar em casa. O rock alivia a barra e recompensa, recompensa muito. Quantos amigos fizemos através dele nem ouso comentar pelo fato de serem vários, quantas horas de alegria também não comentarei porque foram inúmeras. Acho que o mundo sem rock n´roll seria um erro. Há tantos episódios nesse tempo em que vivemos nessa rotina que esse texto se tornaria um livro.

Mas dentre todos, os que mais me fazem ir em frente é quando recebemos visitas nos programas de bandas sejam elas de garagem ou não, como ocorreu em uma dessas sextas-feiras. A juventude empunhando guitarras, ou mesmo violões para tocarem o som que há tanto tempo embala sonhos, ideais, histórias e vidas, e mais ainda, apresentando repertório próprio, dando sua contribuição para a seqüência do rock no universo.

Não sei até quando vamos, espero que seja por muito tempo e que possamos chegar longe sempre acompanhados pelo rock, espero que nosso programa tenha vida longa também, e que a chama do rock não se apague nessas bandas que tocam de bar em bar, de noite a noite, de festa em festa, entre estúdios, estádios, casas noturnas, palcos, festivais o rock nosso de cada dia!

Um ford abraço

Sabugo

Hora de voltar para o ROCK

E aí, acabou o carnaval (até que enfim!) e agora quais são os planos? Será que o ´´mundo brasilis´´ volta à realidade?? Ou vamos aturar esse auê até o final do ano? Fora quem se esbaldou e tocou o horror nesse período do ano, há uma pequena parcela de criaturas que se isolam em seus mundos, ficam à parte dessa bagunça denominada carnaval e cá estou eu incólume salvo pelo rock..

É nesse período do ano que alguns param para organizar a discoteca, ouvir novamente os cd´s ou lp´s que já faz um tempo não rodam mais, refinar o gosto musical e redescobrir músicas não tão lembradas das nossas bandas favoritas. Nossa e como tem! É como diria Nei Lisboa: pra viajar no cosmos não precisa de gasolina (principalmente no preço que ela se encontra). Certíssima essa afirmação, você pode viajar no tempo e no espaço ouvindo as canções que já compõem a trilha sonora de sua vida, isso é, se você tem alguma coisa nela que vale a pena ter música tema, se é que você me entende.
Eu fiz exatamente isso meu amigo, em pleno carnaval eu me isolei do mundo, fiquei sozinho comigo mesmo, com o radinho ligado, repassei alguns álbuns que tenho por aqui… em especial, quatro deles de uma banda única, uma das melhores que este país já teve desde que foi descoberto pelos europeus. Foram quatro álbuns da Legião Urbana, sim, isso mesmo, quatro álbuns: Legião urbana (1985), Dois (1986), V (1991) e O descobrimento do Brasil (1993).

No primeiro álbum, temos pérolas atuais como nunca, basta ouvir a canção geração coca-cola da qual eu me incluo e pertenço com o maior orgulho possível, fora essa ainda temos ´´Será´´ que nos remete a analisar nossa vida, isso sem falar na música Petróleo do futuro que cai muito bem na minha situação de aversão ao carnaval: ´´Sou brasileiro errado vivendo em separado´´… No álbum Dois (que por coincidência estou ouvindo agora), já abre com Daniel na cova dos Leões, insistindo em usar os remos mesmo sendo barco a motor (isso me lembra a teimosia de querer carro antigo carburado quando se tem novinho com injeção eletrônica podendo ser parcelado em incontáveis vezes), após essa vem Quase sem querer, nossa, como isso me remete à minha juventude onde eu queria provar para todo mundo que eu não precisava provar nada pra ninguém! Ainda tem Eduardo e Mônica (e quem nunca teve um casal de amigos parecido com eles?), tempo perdido fala por si só e de tão atual está inserida no cotidiano de cada um de nós.

Ainda temos mais dois álbuns: V (cinco) que dentre outras destacam-se Metal contra as nuvens que ainda hoje faz uma leitura muito peculiar de nós e de nosso cenário político: ´´ Quase acreditei na sua promessa e o que vejo é fome e destruição´´; teatro dos vampiros traduz muita coisa do consumismo ao mencionar que o que é de mais nunca é o bastante (mas isso também tem cunho pessoal, sabemos disso) assim como L´âge d´or. E para encerrar, O descobrimento do Brasil que merece ser ouvido na íntegra ressalta a atualidade com a música perfeição, que nesses dias de carnaval, feriado, futilidade, maracutaia, alta da gasolina, vem muito bem a calhar!

Revirando meus cd´s da Legião urbana senti que era a mais pura verdade a frase de Renato Russo: ´´A verdadeira Legião Urbana são vocês´´. O ano todo, em qualquer data, em várias situações você vai encontrar na obra dessa banda uma música que condiz com a tua realidade e/ou com o momento/sentimento que você está vivendo. Pena que quando a banda acabou, ainda era cedo…
Fico por aqui, sem a menor saudade do carnaval que passou e torcendo para o próximo demorar o máximo possível. Vou ficar curtindo o bom e velho Rock de uma banda que mesmo após tanto tempo de seu fim vem conquistando legiões de fãs e mantendo viva a memória de dias já idos de glória do Rock nacional, de quando uma banda cantava no palco exatamente aquilo que a gente falava e sentia.

Um FORD abraço.

Sabugo.

https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=wphIW0d4Otg

Há um Zeppelin de Chumbo voando por aí

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           Assistindo ao Dvd Celebtarion Day do Led Zeppelin, fico atônito em frente a tv, pois meus ídolos de outrora, hoje apresentam-se como meus avós! Impressionante isso pois pensei com toda minha ingenuidade que as lendas e os astros do rock, eram imutáveis e até mesmo imortais, porém a verdade nos salta aos olhos de outra maneira, de uma forma diferente e bem mais cruel: o tempo passa para todos, sem exceção! Pelo menos temos um consolo, Raul Seixas não mentiu ao proferir uma de suas frases atemporais que dizia que os Homens passam e as músicas ficam, e isso ficou evidenciado neste trabalho do Zeppelin.

            As músicas (as de verdade) ficam mesmo, dias, semanas, meses, anos e décadas! Apesar do grupo não existir mais, pois dissolveu-se em 1980 após a morte do baterista John Bonham. Seus integrantes remanescentes continuam por aí, não muito longe da música, porém sem a notoriedade que tinha o Zeppelin. Ainda bem que eles se reuniram em 10 de Dezembro de 2007 (pena isso não acontecer mais vezes) para um show comemorativo o qual recebeu o nome de Celebration Day e mais tarde virou DVD.

Há coisa mais sublime do que ver esses senhores de avançada idade sobre o palco tocando sucessos que embalaram gerações? Todos eles já sentindo o peso da idade, a sonoridade já não tão explosiva quanto antigamente, porém mais requintada e mesmo assim conservando a essência desta que é uma das maiores (senão A MAIOR!) banda de rock do globo terrestre.  E lá estão eles… John Paul Jones debulhando um contrabaixo e como se isso não bastasse, para dar mostra de todo seu talento (nem sempre mencionado quando se fala da banda) ainda assume os teclados quando se faz necessário para dar vazão ao seu brilhantismo como multi-instrumentista. Robert Plant já não tem mais a mesma potência de anos atrás, mas continua sendo a voz do grupo, um emblema, e ainda impressiona a química de palco que rola entre ele e o guitarrista. Lá na bateria com muitos anos de vida a menos que os outros integrantes, está Jason Bonham, filho do falecido baterista John Bonham, o guri não faz feio não, pelo contrário, faz jus à descendência que possui ao lembrar a memória de seu pai que foi um dos maiores bateristas do mundo. E entre caras, bocas e um jeitão todo seu de se relacionar com a guitarra está um distinto senhor de cabelos brancos que sabe muito bem o que faz com ela, o nome dele é Jimmy Page, um mago, preciso, consistente e virtuoso, uma referência para qualquer guitarrista que se preze.

A canção Stairway to Heaven é um caso a parte, sem sombra de dúvida a mais executada do grupo após tanto tempo nos dias atuais não é apelativa e nem repetitiva, é um hino, um mantra, um êxtase composto por notas musicais e riffs mágicos. E eu ainda em frente à tv vendo eles tocarem essa música nessa idade, após tanto tempo longe dos palcos sem se reunirem, tomo a canção como uma oração, me entrego à melodia, sussurro a letra junto com a banda, fecho os olhos, viajo no tempo, me embalo, me emociono, então arregaço o volume e vou às lágrimas!

Pena mesmo eu não ter nascido antes para poder ir a um show do Zeppelin ou ficar juntando trocados para comprar um vinil que seria lançamento deles. Esperei tantos anos da minha vida para vê-los tocando juntos novamente, ao vivo… No âmago do meu coração de Rockeiro eu sabia que não morreria sem ter essa glória, e lá estão eles outra vez juntos no palco!

Traduzindo para você o sentimento desta espera, é como o carro que você tem e que está sendo restaurado, que você já não anda mais faz um tempo por estar desmontado e você está louco de vontade de andar com ele novamente, acabar de uma vez por todas com a restauração demoradíssima e sair rodar pelas ruas da cidade com teu carro reluzente, impecável, reguladinho, com estofamento novo em folha, como no apogeu do seu lançamento, tal qual era ele quando deixou a agência com o primeiro dono.

E lá estão eles, os remanescentes da formação original do Led Zeppelin reunidos novamente, desfilando como ícones do seu tempo, como obras primas, rodando livres, com toda sua potência, com o ronco inconfundível do escape, com seu motores afinados e seus blocos de ferro, ou então nesse caso, de chumbo!! Suas calotas não perderam o brilho, seus pára-choques ainda mantêm o cromo, as faixas brancas dos pneus devido à ação incessante dos anos ficaram amareladas, o interior já um tanto roto mostra a pátina do tempo.

Mas nesse dia do Cellebration Day o Led Zeppelin saiu da garagem, e vai sair cada vez em que rodar o DVD dessa maravilhosa reunião, vai sair na lenta, com seu torque poderoso, vai ganhar a avenida, vai agraciar-lhe os olhos, os ouvidos e principalmente a alma de quem há tanto tempo não vislumbrava algo tão perfeito, lúdico e maravilhoso desfilando maravilhosamente bem pela avenida da existência.

Um FORD abraço

Sabugo

Nós que somos loucos

        Ser rockeiro nesse país não é fácil, a rádio comercial só toca música da ´´moda´´ e triste que chamam essa poluição sonora de música, bons tempos onde o artista provava que era bom e aí sim, na seqüência era consagrado com o sucesso. Não bastasse isso, a maioria das camisetas de bandas é na cor preta, não que eu tenha algo contra, mas o triste é que se eu for comprar as camisetas das bandas que eu curto, meu guarda roupas vai ficar igual o do Batman: tem cor preta, preta, preta e pra combinar preta de novo.

            Aí tu vê essa geração de hoje achando que sertanejo universitário é música, ou pior, tú é obrigado a andar com teu carro atrás de um veículo 1.0 socado no chão se arrastando na avenida a 10 km/h, ainda com 54 prestações para vencer, onde dentro deste, se encontra o cidadão que pensa que está abafando com um FUNK no último volume no centro da cidade. Obviamente que você volta para casa entediado, revoltado, indignado. A gente parece ser de outro mundo quando falamos de Deep Purple, Led, Floyd, Jethro, Raulzito, Garotos Podres, Engenheiros… Raimundos… Nos rotulam de fuleiros, ultrapassados e em alguns casos até anti-sociais, vê se pode.

Mas se você é rockeiro, e tem paixão por carro antigo (90% dos casos, aposto nisso!), a coisa piora em gênero, número e grau! Você é taxado de louco! Isso mesmo, acham que você pirou porque está ouvindo aquela música barulhenta, está usando roupas que não estão na moda, não se importa mais com sua aparência, torra seu dinheiro em cd´s e não para de comprar peças para a lata velha que você tem.

Claro que isso é na visão dos outros, na nossa visão é tudo bem mais simples, precisamos de música de verdade, não agüentamos mais ouvir o lixo que as rádios comerciais executam sem parar o dia todo, todo santo dia. E quanto ao carro, bem, não é questão de torrar dinheiro, é investimento em estilo, bem estar e prazer!

De que adianta você andar por aí com um carro novo igual ao de todo mundo, sem ser o carro que você sempre sonhou? Um amigo, certa vez veio me falar que o filho dele comprou um carro com ar condicionado digital, motor 1.6, banco de couro e roda de liga… bem, no final da conversa ele me disse que eu tinha que fazer isso, para parar de gastar com meu carro antigo. Foi onde eu respondi: Meu amigo, o meu é um clássico, tem alma, é o sonho de muitos, é antigo, esse outro aí, vai ser velho, e convenhamos, ar condicionado para quê? Se eu estiver com calor, baixo o vidro e acelero, se for frio, um agasalho resolve a parada.

Como é complicado ser automobilista e rockeiro galera! Mas são coisas impagáveis nessa vida, e apesar dos pesares, tanto os solos de guitarra como o ronco do motor, fazem a coisa toda valer a pena, dão sentido às coisas, à vida. As coisas são como são por um motivo, e de mais a mais, se fosse muito fácil e corriqueiro, perderia totalmente o sentido. Não importa mais quantos astros do rock já se foram, ou a quanto tempo, importa que carregamos suas memórias e ouvimos suas músicas que continuam a atravessar o tempo. Também não importa o tempo que faz que nossos carros não estão mais nas linhas de montagem, importa sim o valor sentimental e histórico que esses veículos tem em nossas vidas, o quanto nos marcaram e o quanto nos proporcionam de alegrias. Importa que perante a sociedade consumista, somos Loucos por sermos quem realmente somos!

Um Ford Abraço

Sabugo.

E enfrentamos outro ano

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É meu caro amigo, na roda da vida que sempre está em movimento é chegado mais um ano, ao passo que outro se foi, e o que ficou dele são lembranças, projetos inacabados, dívidas (espero que isso não!), entre tantas outras coisas.

Mas o que eu quero mesmo dizer é que com a chegada desse ano novo, após os festejos, os estragos, a viagem ultra demorada pelas estradas esburacadas desse nosso país, após a torrada na praia onde você quase surtou porque o cara do guarda sol ao lado estava ouvindo ´breganojo´ naqueles mais de 35ºC, você meu caro amigo Mauricinho do carro tunado, tem um problema. Teu carro ficou um ano mais velho, desvalorizou, assim como o pseudo sucesso imposto pela mídia de uma banda que é só aparência e não tem talento, seu carro nesse ano acaba sendo substituído por um modelo novo. Mesmo que só tenham mudado as sinaleiras, os faróis e cor do ponteiro (se é que tem né?) do velocímetro, agora seu modelo está ultrapassado.

Eu pelo contrário, assim como tantos outros loucos que tem a ferrugem no sangue, quando mudamos de ano, vemos os nossos carros se tornarem ícones mais saudosos, mas antigos, valorizados, raros e atraentes. Ficam impressos os anos vividos e rodados dos nossos queridos carangos… São como bons álbuns de ROCK que não são superados, são marcas de uma geração, são a síntese de um tempo já vivido.

É, pode me chamar de chato por ser tão saudosista… Eu não ligo. Sou mesmo, a moda passa, vai embora, e depois de um tempo volta. A música que foi hit no verão passado, ninguém mais lembra nesse verão, o grupo/banda que era tido como revelação e sucesso no ano passado, nesse ano, nem na ativa está mais, quem dirá fazendo sucesso.

Mas meu amigo, o passado não morre o que está feito, está feito! Clássicos não morrem, ícones duram para sempre! Clássicos da música são clássicos e ponto final, assim como os clássicos da indústria automobilística que mesmo após tantos anos ficam em nosso imaginário, nas nossas lembranças, são cultos de desejo, admiração, objetivos a serem alcançados, e como são clássicos, são imutáveis, não vão ser substituídos no próximo ano, nem alterados pela fábrica alguns componentes para encarecer seu valor de venda.

Assim como os vinis que hoje já não rodam tanto por aí, nossos antigos estão presentes na vida de cada um dos privilegiados que mantém contato com os mesmos, atravessando cada ano, chegando ao futuro a bordo do passado embalado pelo som que ecoa através dos tempos.

Um Ford Abraço e um ótimo ano a todos!

Programa Especial do Mundo do Rock hoje!

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Nessa sexta feira dia 04 de Janeiro de 2013 o Mundo do ROCK está imperdível e terá a presença de um dos produtores do documentário Raul Seixas – O início, o fime o meio, você não pode perder! Muito papo sobre esse material que trata da vida e obra de um ícone do Rock nacional! Das 22:00 até a 00:00 na Rádio Comunitária Maria Rosa Fm (www.mariarosa.fm.br)

E chegamos ao final.

Ano vai, ano vem, planos vão, ficam ou se realizam. É sempre a mesma coisa, sempre tudo tão igual, o que muda é apenas a ordem das coisas: o que fizemos e/ou deixamos de fazer.

E no final desse ano não podemos deixar de fazer um balanço. Foi um ano repleto de acontecimentos, primeiro todo o auê referente ao fim do mundo supostamente previsto pela cultura Maia, que obviamente não aconteceu, dado pelo fato de ainda estarmos aqui. Fora isso, tivemos a perda de um grande ícone da música nacional em 6 de agosto o nome dele era Celso Ricardo Furtado de Carvalho, conhecido como Celso Blues Boy. Em contrapartida o cinema nacional foi agraciado com o documentário Raul – O início, o fim e o meio que trás a obra e a vida de Raul Santos Seixas para o deleite dos fãs (confesso que terminei de assisti-lo com lágrimas nos olhos). Nesse mesmo ano a titia Rita Lee encerrou sua carreira com muita polêmica em seu show de despedida.

Já em âmbito mundial, tivemos a perda de nomes como Ravi Shankar e Jon Lord, este último foi tecladista e fundador da banda Deep Purple e sagrou clássicos como Smoke on the water, Child in Time, Black Night e Highway Star. Isso sem falar do lançamento de pérolas como o Celebration Day que nada mais é do que a gravação de um show antológico ocorrido em 2007 pelos remanescentes da banda LED ZEPPELIN (com o filho de John Bonham na bateria, lugar que era de seu pai) que veio nos formatos de cd, dvd, blu-ray e download digital. E também o insuperável (incansável também) Bob Dylan lança mais um álbum nesse ano de 2012 intitulado Tempest que é o seu trigésimo quinto álbum. Nele vemos um Dylan mais destilado, mais pausado, ponderado, mas sendo ele mesmo, visceral, atemporal em suas canções e nobre em suas letras, retratando amores, acasos e cotidianos de um ponte de vista sublime e simples.

Obviamente que deixei muita coisa de fora nessas poucas linhas, também pudera, o mundo do rock é vasto demais para tão poucas linhas, mas esses episódios aí em cima foram os que mais me marcaram nesse ano, sem sombra de dúvida.

E eu aqui, durante esse ano, vi nascer esse espaço maravilhoso chamado Sociedade Automotiva, e melhor ainda: fui convidado a fazer parte dele e estou adorando a experiência. Além disso, meu maverick ainda não está pronto, mas pelo menos foi pra oficina para terminar o processo de restauração.

A vida sempre segue, as coisas acontecem e o tempo passa, isso não muda com o passar do tempo, apenas se constata. Como esse ano já está indo para o seu final, ficam por aqui os votos de um feliz natal, que seja um natal com essência e simbolismo, não apenas de consumo e futilidade, de excessos e de vazio existencial. Que este natal seja pleno e feliz, que seja tempo de se rever conceitos e se abraçar entes queridos, de se perdoar, de esquecer as mágoas e de renovar a sua fé.

Desejo também, vida longa ao ROCK, e que no próximo ano de 2013 as coisas se encaminhem pelo melhor, que seja um ano de paz, de alegria, de harmonia, de graças e luz, que seja saudável em todos os sentidos. Que a ferrugem no sangue continue firme e forte, concentrada e que o Rock nosso de cada dia role em alto e bom som!

Um Ford abraço

Sabugo

Foto clássica do Robert Johnson
Foto clássica do Robert Johnson

Dizem que tudo começou com o Senhor Robert Leroy Johnson ou só Robert Johnson , nascido num tempo onde o racismo reinava  nas plantações de algodão no Delta do Mississipi,  o Blues tomou sua forma com sua guitarra triste, ninguém sabe ao certo quando Robert Johnson nasceu, mas morreu jovem de forma estranha, foi daí que nasceu a História da Encruzilhada , Na qual falava que o Robert Johnson tinha vendido a sua alma ao Diabo.

Quanto a sua morte, uns dizem que ele foi envenenado pelo dono do Bar, enciumado por Robert ter flertado com sua mulher, mas outros dizem que Robert Johnson vendeu sua alma ao diabo na encruzilhada das rodovias 61 e 49 em Clarksdale no Mississipi, quando o Diabo apareceu e afinou seu violão um tom abaixo e assim ele tocou como nas famosas gravações.

A história ainda diz detalhes sobre ele ter saído desesperadamente do bar onde estava, sendo perseguido por cães pretos e foi encontrado com marcas de mordidas profundas, cortes em forma de cruz no rosto e seu violão intacto ao lado do corpo ensanguentado. Robert johnson morreu de olhos abertos e uma expressão tranquila no rosto.

O certo que ele gravou 29 faixas que felizmente influenciaram gente como: BB King, Led Zeppelin, Stones, Eric Clapton, entre muitos.

Sweet Home Chicago

Robert Johnson- Crossroad

Robert Johnson – Walking

E tem uma homenagem de um dos maiores blueseiros o BB king juntamente com o saudoso Celso Blues Boy

Celso Blues Boy & BB King – Mississipi – Blues

Os Stones

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Como falar de Rock, como ser um roqueiro e não saber da existência desse grupo inglês que ultrapassou a barreira das 5 décadas de estrada com louvor e reconhecimento mundial? Impossível com toda certeza.

Vi nesse final de semana o show comemorativo aos 50 anos da banda e confesso que foi além do que eu esperava, eu fiquei extasiado! Quanta música boa num show só! E mesmo assim, quantas ficaram de fora! Faltaram muitas, também pudera, o repertório dessa longa estrada é bem vasto meu amigo, se você não conhece, vale a pena conferir.

Nossa, como aquela ´´rapaziada´´ no auge dos seus 60 e vários (71 no caso do baterista), tem tanto vigor e ainda conseguem manter a pegada do bom e velho Rock n´ Roll??

A resposta dessa pergunta deve (penso eu) estar no amor pelo que se faz, pelo material de que se é feito, pelas receitas que antigamente eram usadas, pelo uso do formol, se é que me entendem… É pela pátina que carregam, pela ferrugem que levam.

Já pensou em quanto eles rodaram, em quanto beberam, quantas horas tocaram e quantas crises já enfrentaram? Obviamente que uma banda de rock não é só alegria, farra, festa, orgia, garotas e glamour, pelo contrário, é muito ensaio, doação, força de vontade, privação, calo nos dedos, dor nas costas, horas a menos de sono ou descanso, suor, saliva e calor! Mas tudo isso vale a pena quando se olha para trás e vê o resultado.

Penso que eles devem ser como um Cadillac das antigas, uma coisa única, diferente, que tem uma sonoridade ímpar, uma trajetória repleta de histórias e fases, que foram concebidos na época certa com o melhor material, que atravessaram anos, décadas sendo ícones de várias gerações. No caso do Cadillac, suas linhas são únicas, sua influência é até hoje notada, símbolo de riqueza, conforto, glamour e remanescente de um tempo já passado, por poucos vividos, mas que ainda podemos em casos raros, termos um deleite com uma rápida viagem ao passado ao vermos esses veículos rodando por aí.

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Mesma coisa acontece com os Rolling Stones, são os Cadillacs que rodam por aí ainda, mostrando que antigamente as coisas eram da pesada, tinham essência, eram únicas, duravam e não seriam esquecidas muito menos superadas, que com o passar dos tempos, as coisas iriam mudar, elas seriam diferentes, mais simples, sem sal, sem tonalidade, sem peso, sem conteúdo.

É pessoal, acho que é isso mesmo… Só me resta agora ouvir alguns clássicos da banda como: Let’s Spend the Night Together, Start Me Up, Like a Rolling Stone, Gimme Shelter e Jumpin´ Jack Flash e ir para a cama, sabendo que encerrei mais um dia em alto e bom som! Vou ouvir somente essas porque se eu for ouvir tudo o que esses dinossauros do ROCK já fizeram vou ter que pedir folga do trabalho por 2 dias. Quem sabe eu ainda consiga sonhar com um Cadillac.

Um Ford abraço.

Sabugo

Quem é do ramo, quem tem ferrugem no sangue sabe o quanto é maravilhoso ir aos encontros de automóveis antigos, além do mais quando você vai com o seu próprio carro (falo de ir rodando com ele e não sobre um caminhão plataforma). Não apenas para exibir o próprio veículo, mas para rever velhos amigos, achar aquela peça/acabamento que está faltando (e sempre falta!), trocar uma ideia  fazer amizades, manter contatos, quem sabe um negócio ou outro, até para tirar a sua camiseta do Clube de Antigos que você tanto se orgulha em ter e que a essa altura do campeonato devido à demora da restauração, já está com o tão amado cheirinho de naftalina.

E por falar em ´´ferrugem no sangue´´ acabo de me lembrar de uma banda de Rockabilly que tive a oportunidade de conhecer, embora não pessoalmente, mas conheci seu trabalho num desses encontros de autos antigos pelo estado visinho do Rio Grande do Sul. Ainda lembro do encontro, caixas de som por todo o local mandando ver uma seleção pra lá de caprichada de Rock de várias épocas, dia perfeito, céu com algumas nuvens, e já cedinho foram chegando vários veículos, eu claro, fui de carona e infelizmente não fui com o meu antigo, mas eu estava presente! Foi nesse encontro o meu primeiro contato com uma máquina que é o sonho de muita gente, um Mustang Shelby Cobra 302 1969, além dele havia por lá muitas outras preciosidades: F-1, F-100, Galaxie, Landau, Maverick, DKV, Opala, Caravan, Motos, Dodges entre tantos outros.

Ah sim, que cabeça a minha, em meio às lembranças fiquei aqui viajando e não falei da banda! Pois bem o nome da banda é OLD STUFF. E você aí agora se pergunta: Ta e daí Sabugo, o que tem a ver a banda com carro antigo? Respondo: tudo!

Essa banda de Sapucaia – RS é puro carro antigo no compasso Rockabilly, eles têm ferrugem no sangue, têm sim! Tanto têm que a coisa ficou séria a tal ponto de se transformar numa música muito bem bolada! E essa música intitulada Ferrugem no Sangue traduz à risca o que é ser Antigomobilista, pode ter certeza, eu assino embaixo!

Banda Old Stuff
Banda Old Stuff

O repertório não pára por aí, a banda vem com o carburador muito bem reguladinho com Hot Rod Ford, calotas polidas no Carango Twist  com seu Rockabilly Man e manda também em inglês o seu Mercury 49 que além de ser uma das minhas músicas preferidas se refere a um ícone da indústria automobilística norte americana americana.

Música Ferrugem no Sangue

Hot Rod FORD

Mercury 49

Carango Twist

            Então fica a dica para você amigo leitor conhecer esse ambiente maravilhoso que é um encontro de automóveis antigos e a sonoridade ímpar dessa banda chamada OLD STUFF TRIO que mescla topete, ferrugem e boa música (afinal estamos falando de Rockabilly) com antigomobilismo o que resulta em um casamento mais que perfeito.

Um Ford abraço

Sabugo

Mais uma vez o melhor tributo aos Beatles e anos 60 de Niterói se apresenta no Espaço Maestrina, Icaraí!

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E que venham os anos…

Não é de se espantar com o avanço tecnológico que o mundo alcançou nos últimos anos… ou melhor, é de se espantar sim! Afinal de contas, isso faz com que nossa percepção de tempo fique deturpada e a gente se sinta velho antes do tempo, exatamente isso, eu continuo sendo um adolescente embora já quase com 30!.

Mas afinal de contas, que tempo é esse? É o tempo em que vivemos, e o preço que pagamos por sermos saudosistas, por olharmos sempre pelo retrovisor. Sempre achamos que antigamente era melhor… sempre comparamos com o passado… sempre nos pegamos pensando como há dez anos atrás ou mais.

Isso é normal, também pudera, antigamente tudo era melhor mesmo! As músicas, os carros, o ar, as amizades, até a pescaria, isso sem falar nos finais de semana.

Interior do Ford Maverick

Me reporto ao tempo em que carros eram obras de arte sobre quatro rodas, com frisos cromados, calotas reluzentes, faixas brancas nos pneus, vinil no teto, motor com seu ronco único, só dele e que você desmontava o carburador, se duvidar, até faria o motor do seu próprio carro, e com poucas ferramentas, não como hoje, um emaranhado de fios e chips que até o técnico/mecânico sofre para dar conta de regular tudo. Falo da época em que esse mesmo carro se tornava membro da família e chegava até a passar por mais de uma geração, quando aquele modelo de veículo era um objeto de desejo, ao tempo em que só tinha rádio AM e que procurava-se pela estação onde houvesse um programa que tocasse a música que queríamos… mas tudo isso já está sepultado não é mesmo, uma vez que temos nos dias atuais o MP3 que convenhamos, tenho de dar o braço a torcer: foi uma invenção muito bem bolada.

Bons tempos quando tudo era melhor… até o rock nosso de cada dia era mais puro, mais visceral, menos sintetizado, onde prevalecia a técnica, o estilo, a pegada do artista, quando o som era mais pesado e menos, muito menos colorido (se é que você captou o que eu quis dizer). Sim, bons tempos do velho vinil e seu som único, seu encarte maravilhoso, o pouco espaço que ocupava para ser guardado… é meu amigo, isto tudo já se foi, hoje qualquer banda em fundo de quintal grava um CD… não que isso seja de todo mal, porém a qualidade fica em 99º lugar.

Só nos resta tentar conciliar as coisas, juntar o saudosismo com a tecnologia. Não vejo problema algum em instalar em seu carro antigo um radinho com MP3 para sair dar uma ´´banda´´ ao som de sua trilha sonora preferida. Como é bom pegar a estrada e viajar ao som de Lynyrd Skynyrd, Hendrix, Pink Floyd, Muddy Waters e tantos outros…

Ahhh sim, obviamente que tem muito som nacional para se curtir na estrada, Celso Blues Boy, Made in Brazil, Wander Wildner e de brinde para você que se empenhou em ler até aqui, uma clássica e imortal: Infinita Highway – Engenheiros do Hawaii. Mas se você é como eu e ainda tem em seu carro um radio Philco AM de 1976… pode muito bem desligar ele, abaixar o vidro (com manivela ainda!) e curtir o ronco do  motor!

Um FORD abraço.

Sabugo

A Garagem…

A conversa sobre Rock de hoje começa pela morada dos veículos privilegiados, uma vez que muitos deles, ficam a mercê de intempéries embaixo de simples lonas, e infelizmente em casos mais hediondos, ficam ao léu. Os que experimentam a doce morada da garagem, fazem dela sua casa, seu lugar de descanso depois de nos levarem para rodar, depois do seu banho… e até mesmo de local de encontro (alguém aí lembra da letra de Simca Chambord do Camisa de Vênus: ´´Na garagem da vovó, tinha o banco do Simca Chambord´´).

Mas para todo ´´bom´´ jovem, a garagem vai além do lugar onde se guarda o carro, as peças, algumas ferramentas, vai bem mais longe e transforma-se (após pedir licença e retirar o ´´morador´´ para pegar um solzinho) em um estúdio improvisado para uma banda!

Poxa, quem com mais de 20 aí não teve uma banda de garagem, ou um amigo que era de uma banda de garagem? Todo mundo teve, e os felizardos ainda tem! Quanta banda de rock surgiu dentro de uma garagem, quantos amigos beberam juntos ali na morada do carro,  quantas vezes ouvimos o vizinho tocando ROCK dentro da garagem?

Eram essas bandas de garagem que animavam nossas noites de finais de semana em apresentações de covers das músicas que a gente tanto gostava e que marcam época. E em muitas vezes tinham canções próprias que acabaram levando essas bandas um pouco mais longe… e em raros casos até o estrelato.

Me pego imaginando as décadas de 50, de 60, de 70, até de 80 quanta banda ensaiou nas garagens pelo mundo afora com carros lindos bem próximos, ao alcance das mãos. Caro leitor, viaja comigo nessa: na década de 50, Bill Halley & His Comets tiravam um Mercury Monterrey da garagem para ensaiar. Já nos idos de 60 Jim Morrison e a galera do The Doors tiravam para a rua um Cadillac DeVille, isso para que na década seguinte o pessoal do Grand Funk Railroad se ver as voltas com um Dodge Challenger R/T dentro da garagem/estúdio. E enquanto isso em solo Tupiniquim,  Raulzito pilotava um Opala…

Você aí pode ter ido mais longe, e parar no rock britânico dos 60 com Beatles, Stones, The Faces, ou até mesmo na década de 70 com Led Zeppelin e The Clash onde o som não deixava nada a desejar… entrementes, eu fico por aqui ao som do Creedence com os veículos americanos.

Até a próxima, um FORD abraço.

Sabugo

No Tempo dos “Racks”

Hoje me bateu um saudosismo ao ver a foto de um RACK de som vendendo, lembro das manhãs de sábado onde era folga do meu tio Dilmar, músico, luthier e dos bons, ele tinha um conjunto bem interessante de som, Gradiente, Technics, Polyvox montado com muito carinho e gosto.

Lá pude ouvir os primeiros acordes do Led Zepellin, do Pink Floyd, da boa música brasileira do Milton Nascimento, MPB4, 14 Bis, passando pela viola do Almir Sater entre muitos outros do seu acervo musical.

Quem hoje pode comprar um som destes e ouvir uns vinis com qualidade apurada não perca seu tempo, compre logo, hoje os sons tem módulos de potência de última qualidade, alto falantes de milhões de Watts, mas nunca terão a essência deste tempo que não volta mais.

Abraços

Leandro

Pé na estrada ao som do velho Rock!

O Rock e o automóvel

Não meu amigo, não me refiro aos clássicos filmes onde temos exímios pilotos, nem perseguições épicas, Também não me reporto a nenhum filme como Mad Max, Vanish Point ou até mesmo Sessenta Segundos, falo de você mesmo, cidadão comum (ou nem tanto) quanto eu, mero mortal.

Gone in 60 Seconds – Filme Sessenta Segundos

Quem viveu a década de 90, e as anteriores lembra das tardes (e quão saudosas) de sábado onde pegávamos o carro do coroa para lavar, chamávamos o amigo, geralmente vizinho e com o rádio ligado, deixava-mos o bólido impecável na esperança de sair a noite e azarar as gatinhas do colégio… ah sim, sem carteira é óbvio.

Nas ondas do rádio a música era constante companhia, e lá tínhamos uma infinidade de estilos, gêneros e principalmente: nomes. Em meio a isso tudo fui apresentado ao ROCK N´ ROLL, e convenhamos, nada mais feito para automóveis do que esse estilo musical que vem atravessando décadas e embalando muitas gerações.

Sabe, dentro do ROCK há aquele som enquanto você está lavando o carro que te dá a maior vontade de terminar logo para sair rodar com ele o quanto antes. Quer um exemplo? Ok, lá vai: tenta imaginar a cena da lavação do carro e ouvir Little Richard – Rip it up, enquanto lava ele, perfeito não é mesmo? Então vamos continuar: Agora que o carango já está pronto, está na hora de você se arrumar para o encontro dessa noite, e sinceramente, você está muito afim de caprichar, então vai ouvir Led Zeppelin – Immigrant Song até a hora de chegar no carro, ligar ele, sentir a sinfonia do motor, acelerar e entrar na rua, dobrando a quadra a todo vapor ao som de AC/DC – High Voltage. Bom nessa hora você já está somente passeando pelas ruas da cidade embalado por The Doors – La woman até encontra a gata, onde vai dar uma maneirada e mandar de cara Nazareth – Love Hurts, pronto meu amigo, ganhou a noite… é só voltar pra casa ouvindo Rolling Stones – Let’s spend the night together e sonhar com os anjinhos.

The Doors

Isso é só um exemplo do casamento perfeito do Rock n´ roll com o automobilismo, e esse casamento completa as bodas quando falamos de carros antigos… mas esse é papo para outra hora, porque com tanto saudosismo contido nesse texto, é hora de tirar o pó de alguns bolachões por aqui… bom se você é da nova geração, o bolachão é como carinhosamente chamávamos os discos de vinil.

Playlist da matéria

Um FORD abraço a todos.

Rodrigo Mendes, vulgo “Sabugo” é apresentador do programa “Mundo do Rock” e apaixonado pelos Fords, principalmente pelo Maverick!

No visual com estilo do grupo Secos e Molhados surge em 1973 em Nova York , Estados Unidos, o grupo KISS. Este grupo trouxe ao Rock um espetáculo novo além do som, um show pirotécnico elaborado, guitarras soltando fumaça, músicos cuspindo fogo e sangue.

Logotipo do grupo

A banda inicialmente foi formada por Gene Simmons (vocal e baixo), Paul Stanley (vocal e guitarra), Peter Criss (vocal e bateria) e Ace Frehley (vocal e guitarra solo). Os líderes da banda Gene Simmons e Paul Stanley vieram de uma antiga banda chamada Wicked Lester  , eles passaram por muitas dificuldades no início da banda, não tinham nem condições para se manterem, mas mesmo assim no seu primeiro show de porte eles queriam mostrar que já eram famosos, alugando uma limosine para a banda chegar em alto estilo.

Primeiro álbum do Kiss com o próprio nome da banda.

Quanto a maquiagem e roupas o grupo se inspirou nos quadrinhos e no teatro japonês, “The Starchild” (Paul Stanley), “The Demon” (Gene Simmons), “Space Man” (Ace Frehley/Tommy Thayer) e “The Catman” (Peter Criss/Eric Singer), “The Fox” Eric Carr e “The Egyptian Ankh Warr – Vinni Vincent

Já passaram pela banda vários artistas, além dos músicos da formação original que já não fazem parte da banda: Peter Criss e Ace Frehley, também fizeram parte Eric Carr, Bruce Kulick, Vinnie Vicent, Mark St. John. Além dos atuais Tommy Thayer e Eric Singer.

Capa do álbum Destroyer de 1976

Discografia:

Discografia Kiss

Filmes:

KISS com certeza é um grande fenômeno do Rock, de um início de dificuldades se tornou uma das bandas mais rentáveis do mundo, para deleite dos teus fãs possuem desde de chaveiro passando pelo seu avião personalizado. E quem nunca cantou o refrão de Rock and Roll all Nite?

Nova York, 1974

http://www.mariarosa.fm.br e https://www.facebook.com/groups/260092120730787/

Sexta-feiras das 22h às 24h com o Sabugo e Dudu no comando!

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