Voltando…

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Talvez alguém aí tenha percebido a leve ausência nos textos semanais, isso começou há algum tempo por algum motivo que eu já não lembro direito, mas aí acabou que a coisa toda emendou e foram algumas semanas sucessivas sem a produção de nenhum texto muito embora eu possuísse um punhado de histórias para contar. Mas isso não vem ao caso agora.

De uma hora para outra a gente percebe que as coisas mudaram e o passo dos dias acaba mudando também, ou nossa percepção de tempo está defasada ou o tempo realmente está indo muito mais depressa do que o habitual. È ao constatar essa triste e imutável realidade que vemos que aquele que sobreviveu se ultrapassou, a cada segundo a vida muda, tudo se transforma e o que era antes hoje já não é mais, se é que ainda há algum resquício.

Ser um antigomobilista é legal, é gratificante, não é um hobby como outro qualquer, é uma paixão diferente, é uma doação, é uma simbiose, um treino de paciência, empenho, dedicação e força de vontade (sem falar em grana que se gasta aos tubos). Ser antigomobilista é algo que requer muito mais que vontade e recursos, é preciso ter realmente ferrugem na veia.

Mas tem dias meu amigo… Tem dias que não tem jeito que dê jeito. É complicado, tua paciência zera, teu humor some, teu dinheiro também, teu tempo se vai, nem aquele velho som do Jethro Tull de anima, nem que você ouça AC/DC você esboça um sorriso. Você literalmente fica de bode amarrado.

Hoje foi um dia desses, isso me fez voltar a escrever nessa coluna, acho que hoje foi a gota d´água dos últimos dias, é uma corrente de acontecimentos que não é fácil de arrastar: Perdemos B.B. King, um simples cabo de freio de mão é motivo para você voltar para o oficina, a embreagem que estava tranqüila agora precisa ser ajustada, o carburador que precisava trocar a válvula da máxima vem o kit que foi encomendado já há mais de mês para montar, era o kit completo, mas adivinha, venho faltando justamente a bendita válvula de máxima. Você sai da oficina achando que a coisa não pode piorar, mas daí eles dão um jeito, sempre tem como, sempre é possível!

Parado ao lado do Maverick em frente a oficina falando com o mecânico, acertando para voltar lá outro dia e colocar o bendito cabo de freio de mão no lugar (que segundo ele não deu tempo de fazer antes) passam uns moleques, daqueles de boné maior que a cabeça, boné caindo por cima da orelha e aba reta, parece um balaio, calça caindo na bunda e tênis colorido com a camiseta do irmão mais velho uns 5 tamanhos maior que o deles quase no joelho e falam entre eles:

_ Bonito o comodorão (fazendo referência ao opala).

Hoje definitivamente não era o meu dia.

Um FORD abraço.

Sabugo

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Um pensamento sobre “Voltando…

  1. Sabugo, te entendo! Estou na mesma fase que você, também mexendo em carburador. Aconteceu exatamente o mesmo comigo, precisava da junta da cuba do primeiro estágio e era exatamente a que não tinha no kit que comprei e estava guardado há uns 2 anos. Tive que pegar uma usada de um amigo. Pra completar, dei uma ralada na coluna da garagem com o Maverick que acabou de sair da pintura. Mas diferentemente de você, ganhei o dia com um comentário. Estava na garagem mexendo nele e passaram 3 moleques com uma bola de futebol embaixo do braço. Um deles parou, arregalou os olhos num tamanho maior que a cabeça dele, chamou os outros e falou: Olha que carro legal! Que bonito!! É por essas e por outras que estou nessa empreitada, pra passar pras próximas gerações o que é um carro desses, que fez parte da minha infância. Um abração!

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