Te conto: há mais um conto!

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Nessa vida de Maverickeiro muita coisa aconteceu, entre tantas, as mais valiosas foram as amizades que esse carro me proporcionou, dentre elas, através da lista de discussão há uma que venho apresentar hoje nesse que seria o espaço do meu texto semanal. Um amigo, meio maluco, magrelo, feio, lá de Cascavel é além de jipeiro, meio ébrio e muito maverickeiro. Acontece que ele também é assíduo criador de contos, já varou várias madrugas escrevendo suas histórias, sempre no universo desse clássico da Ford, juntando um punhado de Rock, nostalgia, devaneios, ficção e amor aos carros antigos.

Então, como eu gostei desse conto e até mencionei ele aqui na última semana, entrei em contato com esse amigo e pedi se poderia publicá-lo na Sociedade Automotiva, prontamente ele atendeu meu pedido e nessa semana então, finalmente pude folgar e deixar as linhas a cargo de outro Maverickeiro.

Apresento-lhes um conto do meu amigo Julio Tofoli:

Maldito calor! Maldito lugar! Maldito o dia que tirei a proteção da parede de fogo do maveko. Calor infernal… De relance olho pro relógio de temperatura que ganhei do Danilo, ele prefere relógios a cavalos, o ponteiro já passou do Deus me livre. Dane-se não vou tirar o pé…

A luz em meu retrovisor está cada vez mais próxima. Tão perto que posso ver o símbolo da grade: R/T. É amigo… Não se trata de um carro qualquer. O que esse alucinado está fazendo? Será que roubou o carro? Me ultrapassar não é assim tão fácil. Não, esse cara pilota como se deve pilotar, não é um amador. Os quatro faróis atrás de mim agora piscam alucinadamente. Não vou resistir, maveko do car@%#*, vou levar outro couro de outro dodge… Subitamente, a luz desaparece, instintivamente tiro o pé e sinto apenas um vulto branco, tal qual um fantasma, passar a minha direita. Inferno, não acredito que cai nessa.

O deserto é um lugar perigoso, ele pode te fazer ver coisas… Infelizmente pra mim, não dessa vez. Numa fração de segundo a luz volta, agora a minha frente.

A noite é escura, por algum motivo a lua preferiu ficar em casa. Mesmo assim, o vermelho das lanternas a minha frente denunciam o branco da lataria do velho mopar. Em poucos instantes já não vejo sinais de meu algoz. O vermelho das lanternas dão lugar ao vermelho de luzes de um bordel. Estaciono o Maverick e com desdém saio e deixo a porta aberta e as chaves na ignição. Com um pouco de sorte, alguém passa e o leva embora. Hoje a noite vou beber… Me perco meio a fumaça de cigarro luck strike, perfume almíscar, mulheres feias e rum montilla.

Acordo novamente com o sol em meu rosto. Como vim parar aqui dentro? Giro a chave, o urro do motor me lembra o porque do meu sentimento por esse carro. Estou novamente na estrada… Outro dia, outra chance. Vou procurar aquele dodge e ensinar algo a ele.

Ao longe vejo muita fumaça. As muitas viaturas da polícia, a ambulância e os diversos curiosos indicam que houve feridos. Mas afinal, o que fazem dois tratores de esteira no meio da pista? Faço uma curva à esquerda e consigo ter a visão completa do acontecimento.

Pedaços lataria branca espalhadas pelo chão, um caput destroçado e um dodge branco misturado com as enormes lâminas dos tratores de esteiras respondem minhas perguntas.

Desço do velho Ford, pego um pedaço de emblema que sobrou do acidente: “llenger R/”. Mais um souvenir para minha coleção e mais uma lição para se guardar: Não é o mais rápido nem o maior que reina na estrada, mas sim aquele que sobrevive e continua rodando.

Até a próxima! (Julio Tofoli)

Espero que tenham curtido essas linhas, lá está uma mente (cheia de ferrugem) unindo suas peripécias de maverick e um pouco de cinema, afinal de contas, quem não lembra do filme Vanishing Point? Aqui no Brasil ele saiu com o título de corrida contra o destino, sua versão original era de 1971 e também teve outra versão mais nova que saiu em 1997, quem não conhece vale a pena conferir.

Um FORD Abraço

Sabugo.

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