Dinossauro que anda é que faz o chão tremer

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A frase não é minha, é um plágio do saudoso Celso Blues Boy, entretanto é uma das grandes verdades do universo. Me dei conta disso novamente no meio dessa semana, quase que por acaso, mas por acaso, não foi ao acaso!

No domingo passado, criei vergonha na cara e fui lavar meu velho companheiro de estrada, o Maverick estava precisando mesmo, estão asfaltando uma rua ao lado de casa (ou pelo menos tentando, acho que ainda vai passar meio ano até terminarem a obra) e o pó está batendo recorde, fora isso, ficou um tempo sem chuva o que piorou a situação e de mais a mais, desde que peguei ele dia 26 de Março não havia lavado ele a capricho, só batido uma água com mangueira, sem sabão, sem nada. Eu lhe devia isso, era o mínimo que podia fazer e foi o que fiz numa manhã ensolarada de domingo, curtindo um rock deixei o Maverick no pátio, passei aspirador de pó, água, sabão, sequei, escovei pneus, passei preteador nos pneus, ficou bonito e limpo!

Mas foi exatamente na quarta feira que tudo ganhou mais uma vez sentido! Eu e o pai precisávamos ir até a cidade vizinha, coisa rápida e trecho curto, não havia conversa, estava decidido, eu iria de maverick. Tinha previsão de chuva, céu nublado e na hora da saída, começava uma garoa fraca entre relâmpagos no céu da noite. Desci até a garagem e com um sorriso nos lábios, cumprimentei o Maveco, saquei uma fita adesiva do bolso, pedi licença para ele e fui isolando o parabrisa para não entrar água se acaso chovesse mesmo. Enquanto fazia isso, pensava ainda sorrindo que a nova geração, os donos de carros de plástico nunca vão saber o que é isso, isso é coisa de quem tem carro antigo e precisa dar um jeito, se virar.

Isolado o parabrisa, bato o arranque, o carro pega de primeira, seria nossa noite! Saímos da garagem e paramos no posto, encostei na bomba e pedia para completar, estava com meio tanque. Depois de abastecer era só pegar a estrada, já que o relógio estava contra a gente, pois tínhamos horário marcado.

Saindo da cidade, andando de boa, na maciota chegamos na BR, testo luz alta, tudo em ordem, só prosseguir, logo a frente na reta, enquanto vejo o asfalto pelos olhos do carro, através de seus faróis no fim da reta, reluz um relâmpago e desce dos céus um raio, longe, mas na reta da pista. Nessa hora, sou sugado por lembranças do passado, volto no tempo, percorro minha memória e encontro os dias em que rodávamos, relembro as noites em que tínhamos a lua como guia, o asfalto era nosso tapete, o som do motor nossa música… Tudo isso passa em fração de segundo e outra vez estou dentro do meu Maverick, agora como novo, restaurado, mas sou eu mesmo e ele, tudo volta a ser como nas antigas.

Recobro a razão, olho para meu pai no banco do carona, sorrio, acaricio o painel como tantas vezes já fiz na vida, dou um tapinha nele e digo em voz baixa: Vamos rodar! Empurro a terceira marcha e soco o pé no acelerador, o giro sob, baixo a luz alta, o ponteiro do velocímetro se move para o terceiro dígito e começa apontar o meio, passo a quarta marcha, deixo um carro para trás, meu sorriso aumenta assim como a velocidade que agora tem o ponteiro a frente do meio, mostrando já o acostamento. Entre o ronco do motor e sereno da noite, entre a luz do farol e os relâmpagos, sinto a velocidade, me acomodo no banco e outra vez eu vivo, outra vez meu Maverick passeia na pista, corre, desliza, somos novamente o que éramos antes!

Como é bom sentir tudo isso novamente, por um momento nos três anos que levamos para restaurar o carro eu esqueci o gosto de andar com o Maverick. Mas é como andar de bicicleta, você não esquece, não levou cinco minutos para eu estar como antes, levando ele certinho no traçado da curva, reduzindo no tempo certo, sentindo o carro, sua estabilidade, seu volante fino entre os dedos e a maciez com que ele responde aos movimentos, ó lugar de acelerar, a hora de aliviar o pé na curva, ter a confiança no torque do velho Geórgia 2.3, saber que no momento da ultrapassagem só preciso puxar ele para o lado e baixar o pé.

Foi muito complicado ficar todo esse tempo longe dele, passar pelos perrengues iniciais da montagem do carro, a falta de bateria, o carburador pifando, água entrando pelo parabrisa, pneu vazio, pisca alerta ligado errado, caixa acavalada, freio desregulado, coifa de câmbio partida, acelerador travando. Mas depois de tudo isso, rodando outra vez com o Maverick noite adentro, sentindo o conforto do carro, seu rodar macio, seu motor confiável, o ronco do motor, o vento no rosto, ver seu ponteiro da velocidade subir, jurei para mim mesmo com toda a convicção possível e com o sentimento de dever cumprido que se fosse para passar por tudo outra vez, eu passaria sem reclamar, pois valeu a pena!

Estamos outra vez juntos rodando, outra vez como antes, mas agora com mais brilho na lata, sem amassado algum, de pneus novos, com os cromados em dia, com a grade inteira, com os bancos novos e novamente com tudo em dia, forte, confiável, firme, levando o passado adiante!

Nos encontramos pelas estradas!

Um FORD abraço.

Sabugo.

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