Um quarto de século

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             Um quarto, não de hotel, nem de pensão, muito menos de dormir, um quarto de século, ou seja, vinte e cinco por cento de um século, exatamente vinte e cinco anos, mais idade do que muita gente por aí, menos que muita gente por aí, mas enfim, vinte e cinco anos de ausência, de falta irreparável.

            Era pleno mês de agosto, ele e seu mau agouro, seu calendário traiçoeiro marcava o dia 21, um dia que nunca mais seria esquecido pelo povo brasileiro, pelos rockeiros, pelos malucos, caretas, carecas, banguelas, trabalhadores, latifundiários, aviadores, radialistas, todos estavam diante do fatídico 21 de agosto. Foi nesse dia que as manchetes de jornais pelos quatro cantos do país relataram para a surpresa de muitos, a perca lastimável do cara que empunhou a bandeira do rock nesse país, que fez uma geração inteira cantar junto com ele e influenciaria assim um sem fim de outras que viriam após ele.

            Que falta faz você Raulzito! Não dá para acreditar que se passaram 25 anos desde que você se foi! Lembro ainda criança vendo o telejornal transmitir o velório com o povo entoando as tuas músicas ao lado do teu caixão, a multidão que cantou junto contigo em vida fazia agora em morte sem ter você nos vocais. O caminhão dos bombeiros te levando para o aeroporto seguido por uma multidão de órfãos.

            Antes de partir você deixou muitas mensagens nas tuas letras, nas músicas que compôs, no jeito irreverente de ver a vida, na tua própria lei acabou criando uma sociedade alternativa cheia de malucos beleza, cantou para boi dormir, não teve muito êxito no ramo imobiliário tentando alugar o Brasil, mas nos disse por quem os sinos dobram e trouxe o carpinteiro do universo para construir a clínica Tobias Blues.

É Raulzito, fez muito pela música brasileira, você mesmo disse que os homens passam e as músicas ficam, as tuas serão atemporais, irão atravessar eras, estarão nos rádios, nos discos e em calçadas, praças e acampamentos em violões sendo cantadas por jovens, adultos e velhos! Em todo show será gritado por alguém na platéia o brado TOCA RAUUUULLL!!!

            Mas Raul, não é fácil cara, está feia a lida, desde que você partiu, a música de verdade foi definhando, o som no Brasil foi indo de mal a pior, o conteúdo das músicas, as letras são um amontoado de coisa nenhuma, um vazio e uma bestialidade aterradora, não se faz mais letra como você e outros das antigas faziam, nem os carros das músicas não são mais aquilo, nada de corcel 73, nem de simca chambord, agora falam num tal de camaro amarelo (em minha opinião um ´´pusta´´ mal gosto, tanto de música quanto de veículo) e numa dodge ram.

E lá vamos nós sem você há 25 anos, um quarto de século… É com pesar que encerro esse texto, Raulseixista que sou.

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Um Ford abraço… E TOCA RAUL!!!!

 

Sabugo

 

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