Mais uma vez, outra vez

Faroeste-Cabloco

Noite de sábado, ia passar um filme novo, sobre uma história já velha conhecida minha. A história fez parte da minha infância, da minha juventude e mesmo hoje, passados tantos anos, ela continua ali, sem ser esquecida, linha por linha pronunciada, vívida, marcante, atual, sentimental ao extremo. Sabe aquela história que você já conhece de cabo a rabo, do começo ao fim, mas que vendo o filme, lembrando cada etapa você apesar de tudo, torce, mesmo sabendo do final, você torce para que aconteça diferente. É exatamente disso que se trata o filme.

Como que pode, como é possível? Décadas mais tarde, ainda torcemos por Santo Cristo, o anti-herói nacional, me comovo por não ver o cara ter ao seu lado a amada Maria Lúcia, tragicamente morta pelo bandido desprezível Jeremias. Não me recordo de quando eu a ouvi pela primeira vez, me lembro do momento, ainda na AM tocando uma música que me chamou a atenção, ouvi a letra inteira e fiquei boquiaberto com a canção, pedi ao pai se ele conhecia, ele disse que sim, mas não sabia o nome da música e nem quem cantava. Eu não tinha mais que treze anos, mas não lembro a data, o momento sim, ainda é vívido na memória. Só me restou esperar tocar de novo para ver do que se tratava.

Me recordo ainda da década de 90 quando no colégio agrícola a gente tinha que encarar 65 km de estrada de chão para chegar em casa e visitar a família, sempre vínhamos cantando Faroeste Caboclo, além de ser uma música que todos gostavam e conheciam, ajudava a passar o tempo, diminuir a distância e diminuir o barulho da kombi que por sinal era infernal, batia até o documento que ficava na gaveta, entrava pó, fedia gasolina, mas chegava no destino.

Vendo o filme ficava me perguntando como, quando e como Renato Russo em sua genialidade escreveu essa letra, tem muita coisa dentro dela, o anti-herói, a opressão, questão cultural, geográfica, econômica e social, tem amor, desespero, esperança, tem fé, tem humanismo, tem descrença. O filme retratou muito bem o cenário da época, inclusive pelos carros, pude ver rural, dodge dart, landau, um fusquinha, puminha, e lá a famosa winchester .22 .

Quanta coisa passa pela cabeça, quantas comparações com a música durante o filme. A torcida por João do Santo Cristo, à volta ao passado, o gosto da nostalgia. E confesso que no final do filme, vendo os créditos finais, enquanto tocava a música tema, não teve como viajar na letra, não foi possível resistir ao passado, ficou mais uma vez comprovado o poder que essa letra tem (para quem reflete sobre letras).

Pena mesmo ter ido tão cedo um letrista dessa estirpe, que com sua música embalou e deu voz para uma geração toda, que deixou um legado musical que após décadas ainda conquista fãs e serve de norte para bandas que começam agora, músicas que foram entoadas em acampamentos, calçadas, salas de aula, ginásios, estádios, casa de show, dentro de kombi, ônibus ou sozinho na rua. Bom, em resumo as letras eram tão maravilhosas e ricas de conteúdo que motivaram até cineastas a levarem para as telas as histórias escritas por Renato Manfredini Júnior. Obrigado Renato Russo!!

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Um FORD abraço

 

Sabugo

 

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