Maverick, rock e adrenalina

Já aconteceu com algum dos leitores que assim como eu não possuem um conhecimento apurado de mecânica passar por uma pane em seu veículo? Aposto um sabonete que sim! Mas nos dias atuais, a coisa se resume em uma pequena luz indicativa no painel do carro, aquela ´´coisinha´´ que acende significa ma única coisa, problema. E como sabemos, os carros de hoje em dia não funcionam mais sem o aparato tecnológico, qualquer que seja a luz que acende indicando um problema, seja ele grave, agudo, crônico, pífio, todo o sistema entra em pane e o resultado é pedir carona, guincho ou dar um passeio a pé pela cidade.

Mesmo sendo óbvio que nem todo problema é igual e que as vezes a luz acende e o carro funciona, há casos de pane geral em que sequer o carro liga.

Agora, se você tem um carro antigo, carburado, com o painel praticamente sem instrumentação nenhuma, só luz do óleo, da temperatura da água, do alternador, marcador de combustível e o velocímetro, me diz, o que faria se ocorresse uma pane? Eis a questão! Pois é, isso aconteceu comigo!

Chegando na rádio para o programa de sexta, ao estacionar o Maverick noto que a lenta dele está alta, isso não era normal, então me vem na cabeça a estúpida idéia de acelerar, pisar até o fundo rapidinho pra ver se volta ao normal. Ao fazer isso eis que acontece o que não estava programado, o carro fica completamente acelerado! No susto desligo ele para logo tentar novamente, dessa vez em vão, ele realmente está todo acelerado, com o giro do motor no máximo. Só me resta deixar ele onde está e subir para a rádio, pois já estava quase na hora do Mundo do Rock começar.

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Ainda durante o programa falo com o Fontana sobre o Maverick pedindo um auxílio, ele pelo computador me diz o que pode ser e como tentar resolver, mas o problema era que eu não possuía nenhuma chave no carro, teria que arriscar a sorte!

Terminando as três horas de Rock da sexta, aviso um amigo que se precisasse de ajuda ligaria para ele. Fecho a rádio, desço até a rua, abro o capô do Maverick na avenida principal da cidade e confiro o carburador, para meu espanto o cabo de acelerador está normal, mas o carro continua acelerado. Meu Maverick nunca me deixou na mão e eu nunca o abandonei, saímos de casa juntos e retornaríamos os dois. E como não havia quase ninguém na rua naquela hora, o jeito era arriscar.

Entro no carro, confiro no espelho se não tem ninguém descendo a avenida, engato a terceira marcha, respiro fundo, dou a partida nele, acendo rapidamente os faróis, o giro sobe nas alturas, dá impressão que vai explodir, tido o pé da embreagem e ganhamos a rua! Pronto, estávamos rodando, mas como estava completamente acelerado, a velocidade só aumentava, não teve jeito, logo engatei a quarta marcha e o único jeito de diminuir era desligando ele até parar. Bom, assim se repetiu por mais 2 vezes até em casa, onde cheguei com ele desligado, desci o pátio todo e não consegui empurrar ele para dentro da garagem, tive de deixa-lo amanhecer na chuva.

Então chega o sábado pela manhã, e é hora de ir trabalhar, ao retornar já com chuva novamente, almoço e assim que termino desço sob chuva mesmo para tentar resolver o problema do meu amigo de quatro rodas. Tinha de fazer isso o quanto antes, pois as 15:00 haveria ensaio da banda e a gente teria que levar todo o equipamento para tocar num evento que… Depois eu falo do evento. O que importa é que consegui resolver parte do problema, era o eixo do segundo estágio que estava emperrado e ficava acelerado. Se fosse um desses carros novos, cheios de fios, pecinhas de plástico sem a ajuda de software eu nunca conseguiria. Depois disso foi só recolher o carro na garagem, secar ele e deixar funcionando na lenta por algum tempo.

Isso já marcava as 14:30 e era quase hora do pessoal chegar, as 15:00 nos reunimos e fizemos um rápido ensaio para desmontar tudo, carregar e ir montar no auditório da UnC para fazer a abertura do evento Curitibanos revivendo o Contestado. Chegamos lá e descarregamos tudo, montamos tudo e passamos o som as pressas, pois já marcava no relógio 18:20 e deveríamos retornar as 19:00. Acontece que chegamos as 19:20, não houve jeito. Logo que nos reunimos, foi feita a abertura e convocada a banda para subir ao palco.

Era a primeira vez que Nóntiêne saía de casa para se apresentar, subir num palco e tocar para pessoas em uma platéia, era diferente das vezes que os amigos chegavam aqui no armazém para ver os ensaios, lá a coisa era mais séria. E já dizia alguma alma perdida que a primeira vez, sempre é mais difícil.

As músicas eram nossas, não havia problema algum, a gente esta á bem entrosado e temos alguns ensaios já, então seria tecnicamente fácil. Mas é impossível não ficar nervoso, você fica mais, ou menos, mas algum índice de nervosismo é facilmente detectado.

Foi então que anunciaram a banda, subimos ao palco, foi feita a apresentação da banda, timidamente tomamos nossos instrumentos, cada um em sua posição e então algo mágico aconteceu! Apagaram as luzes do auditório e ligaram os holofotes sobre nós, não era possível do palco ver a platéia, ao olhar para o lado percebi que só era possível ver os membros da banda sobre o palco, lançaram até fumaça no palco, o que impossibilitou de vez a visualização da platéia. De certa forma isso nos deixou mais a vontade e iniciamos a apresentação, mesmo sob a tensão da estréia desempenhamos nosso papel. Após a primeira música, ouvimos aplausos, após a segunda os aplausos eram mais fortes, mas foi após a terceira e última música que falava justamente sobre o contestado que a platéia disparou aplausos e assovios.

Imensamente gratificante a experiência de subir no palco para tocar e sentir o rock fervilhar nas veias!

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Um FORD

 

Abraço.

 

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