Isso nunca me aconteceu antes…

auto-mechanics

Essa frase aí é bem conhecida de uma boa parcela da população, alguns dos leitores já a proferiram e outra parte já deve ter ouvida e retribuída a frase com um sorriso maroto ao mesmo tempo em que riram por dentro com uma pontinha de desapontamento, diziam tudo bem, eu acredito, não tem problema afinal de contas para tudo existe a primeira vez.

E eu não sei mensurar se a primeira vez é tão complicada com o a ocorrências sucessivas dos problemas (sejam eles da natureza que forem). Fato é que para tudo (ou bem, para quase tudo) existe uma primeira vez, acontece que nem sempre a primeira vez que ocorre é agradável e a primeira vez, desperta o medo da coisa toda se tornar recorrente, cotidiana, rotineira. De toda sorte, espera-se que a primeira vez, seja a única e a última também, mas de nada vale ficar somente na torcida, é preciso fazer algo a respeito!

Ei, espera aí, vamos voltar ao assunto antes que você continue pensando errado a respeito do texto de hoje! Não me refiro aos fatores biológicos dos seres humanos, me refiro sim à experiência da primeira vez que acontece, no fato em si. Não ajudou muito né, vou ter que ser mais objetivo e claro, vou contar o acontecimento para elucidar os fatos.

Na noite de sexta no último feriado, eu estava retornando para casa, lá pelas 22:30. Paro o Maverick na sinaleira atrás de outro carro, a cidade praticamente deserta por conta do feriado prolongado, só nós dois na rua. O sinal verde brilha e eu saio de mansinho, mas como o carro da frente estava muito lento, puxo o maverick para o lado, acelero e ganho chão, bato a segunda marcha, tiro vantagem e para não acelerar em demasia, coloco a terceira marcha e desço a rua principal da cidade. Lá embaixo vou colocar a quarta marcha e eis que para minha surpresa a caixa arranha! Penso comigo se eu por acaso não pisei até o fundo na embreagem, mas sempre toco o assoalho com o pé… Estranho isso. Mas volto minha atenção ao carro e recoloco a terceira novamente para atravessar o centro.

Quase chegando em casa, tem uma lombada que me obriga a reduzir a velocidade, chego nela, subo e tendo engatar a segunda marcha para reduzir, para minha surpresa nada acontece, a alavanca se move mas parece solta, não engrena nada! Tendo a primeira marcha e nada, a segunda novamente e nada também, nem a quarta e a terceira arranha, só me resta a sorte: dou um tempo no acelerador e num soco certeiro engato a terceira marcha, passo a lombada e vou para casa que está com o portão fechado o que me obriga a parar no meio da rua para abri-lo e descer até a garagem.

No sábado chegou visita e não pude ver o que aconteceu com o maverick, no domingo era páscoa e agora, segunda feira feriado nacional era o dia perfeito para dar uma de mecânico de final de semana. Acabei de voltar da garagem, todo sujo, cansado, engraxado, duas marteladas nos dedos, cisco no olho e vos digo que era para estar bravo, decepcionado, triste, mas carro antigo tem dessas coisas e ir lá interagir com ele é bom, apesar de tudo ainda continuo devendo o banho que ele tanto merece.

Me pergunto se fosse um desses carros novos, todos eletrônicos se seria possível dar um jeito de chegar em casa, se você conseguiria erguer ele para conferir os trambuladores (bracinhos) se é que os carros novos possuem isso. Aposto que não, aposto também que os carrinhos novos de plásticos não tem essa alma, essa amizade com o dono para que mesmo com problemas mecânicos bravamente com uma marcha só os conduzam sãos e salvos para casa, para só então darem suas tarefas por concluídas. Se fosse um carro da nova geração iria ficar no meio da rua chorando desolado e clamando pelo socorro de algum guincho. Meu Maverick, amigo de tantas horas mesmo com problemas mecânicos chega até em casa, não me deixa na mão.

E voltando ao assunto, tentei de todo jeito e não consegui arrumar a caixa, não teve jeito, vou ter que recorrer aos profissionais do ramo, amanhã falo com o mecânico.

Acavalar na terceira marcha, isso nunca me aconteceu antes!

Não conseguir soltar os trambuladores da caixa, também, nunca me aconteceu antes!

São grandes ironias do destino.

 

Um Ford Abraço

 

Sabugo

 

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