Num domingo qualquer

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Geralmente temos tantas coisas para fazer durante a semana que dedicamos o final de semana para descansar, ou pelo menos, na melhor das hipóteses, sair da rotina. Dentro disso temos tantas possibilidades que são impossíveis enumerá-las: acabar aquele livro, namorar, fazer um passeio qualquer, dar um trato na casa, tirar uma música, se reunir com a família, ou com os amigos, escrever um texto para o site, dar um trato no carro.

Caramba é dia de dar um trato no carango! Acabei esquecendo completamente disso. Putz, o Maverick está precisando de um banho detalhado e demorado.

Infelizmente vai ter que ficar para outra ocasião, esse final de semana já se foi e era meu único tempo livre. Acho que esqueci pela falta de hábito, desde a restauração que eu não lavo mais ele.

Que feio, esquecer do meu amigo, camarada, o carro que me leva, me acompanha, parceiro de tantos litros de gasolina gasta, fiel amigo das jornadas pela noite sobre o asfalto. Pobrezinho, ficou empoeirado na garagem onde repousa entre peças que um dia já lhe foram úteis, entre as peças sobressalentes de manutenção. Ainda em débito para com ele, não o levei para a auto-elétrica a fim de instalar algumas lâmpadas que não funcionam no painel.

Caras como eu, estão ficando raros, não se trata mais o carro como membro da família, na verdade não estão nem aí para eles, apenas os usam para seu status social e assim que surtir a primeira dificuldade financeira os lançam a venda em garagens descobertas, ao relento, sofrendo com o forte sol e as chuvas, se desfazem deles como eletrodomésticos já sem uso. Você é o carro que você tem, concordo que algumas pessoas são muito desapegadas dos itens materiais, por um lado isso é bom, mas não quero aqui validar o descaso dessas pessoas com seus veículos.

Para exemplo ontem vindo do trabalho, já no finalzinho da tarde me passa um cidadão com um gol quatro portas socado no chão, um dos malditos rebaixados ouvintes de funk com rodas pintadas de vermelho. O carro do cara estava reluzindo, recém lavado, mas como as nossas ruas não são um modelo de perfeição e contém buracos, solavancos e tudo mais, o pobre golzinho vinha pipocando na rua, arrastando o monobloco no asfalto esburacado. E lá dentro, todo arrumado de correntão no pescoço, boné virado para trás (que parece uma mala encobrindo as orelhas) estava um jovem ao som de um pancadão. O cara com o volume no talo, aposto que não ouvia as batidas de seu carro contra o chão.

Me perguntei o que seria pior para o pobre carrinho: Arrastar-se se esmerilhando a cada solavanco rua abaixou ou ser condutor de um cara de tão mal gosto.

Acho que vou descer até a garagem e contar essa história para o Maverick, pelo menos é melhor ele ter um dono meio descuidado que o deixa empoeirando do que ter um cara que vai destruí-lo com o uso besta tendo uma trilha sonora para lá de ruim.

 

Um Ford Abraço

 

Sabugo

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