De mal a pior

senna_bra_1993

Antes de adentrarmos o tema desse texto, faço-lhe um convite para ligarmos o capacitor de fluxo (alguém lembra disso?) e voltarmos ao início da década de 90.

Vamos voltar até alguma manhã de domingo na qual levantávamos cedo (talvez não tão cedo assim) para aproveitar o melhor do final de semana.

Eu era criança, mas lembro como se fizesse isso ainda ontem: Duas cadeiras de palha no chão da cozinha, uma de perna para a outra, o encosto da cadeira da frente era o bico do carro e o encosto da cadeira de trás o aerofólio, no meio delas eu sentado numa almofada era o piloto do carro de fórmula 1 branco e vermelho, só em meus sonhos de infância eu tinha o capacete verde e amarelo igual ao cara da tv que corria de verdade. Quanta emoção, quanto orgulho dentro daquelas cadeiras! A gente ganhava do Nigel Mansell, do Alain Prost e de quem mais estivesse na pista! Eu ali, menino ainda, via na tela da tv mais que um piloto, um cara humilde, talentoso, generoso, exemplar, dedicado, um ícone! Como dava orgulho ser brasileiro ao ver a bandeira da pátria tremular na volta após a linha de chegada a bordo do carro mais veloz da corrida.

Mas o tempo carrasco como só ele sabe ser, mudou, passou e nos conduziu para uma realidade mais obscura. O tempo se encarregou de levar nosso herói, nosso ídolo e nos trouxe espantalhos travestidos de ícones exemplares, esses que você percebe que não têm nada de mais, são apenas apelos da mídia com cabelinho ridículo, de nenhuma atitude e de escasso conhecimento, seres de pífio intelecto, mas de grande apelo comercial.

E nesses moldes as gerações que vieram após a nossa, foram absorvendo esses pseudos exemplos, foram também se acostumando com as modas passageiras de consumismo banal e o pior de tudo, começaram a rebolar com músicas sem nenhum conteúdo em suas letras, se acostumando com rimas baratas e seguindo a moda pré-fabricada.

É meu nobre amigo, caro leitor, internauta, a coisa mudou! E mudou para pior.

Falando por mim, se antes eu tinha orgulho de ser brasileiro por ver um cara levar o nome do meu país aos quatro cantos do mudo através do automobilismo, hoje, confesso com tristeza e um tanto de rancor que não sinto mais o orgulho de patriota.

Não sou mais brasileiro, de agora em diante sou SULISTA, o SUL É O MEU PAÍS! Não posso mais suportar! Alguns meses atrás, estávamos na avenida protestando por um país melhor, cobrando dos políticos nossos direitos, fizemos passeatas, manifestações e o que eles fizeram? Nada! E quando chega o carnaval, o povo só pensa em carnaval, tudo é esquecido, tudo é festa, a mesma zona de sempre, feriadão de caros pedágios, de acidentes em estradas mal conservadas pelo poder público, orgias, bebedeiras e alienação massiva. Nossos protestos foram em vão, tudo terminou em carnaval e logo vem a copa por aí.

Falando em copa, é justamente aí que o senso de patriotismo do brasileiro aflora, afinal de contas, a seleção brasileira de futebol vai jogar e se ela ganha, ´´todo mundo´´ está feliz, mas se ela perder, nossa, quanta tristeza nesse povo que ´´ama´´ o futebol.

Certo está o cidadão que pichou o muro dizendo que enquanto te exploram, tu grita gol.

Como reclamar sozinho não vai adiantar muito, ou melhor, não vai resolver porcaria nenhuma, vou voltar para meus discos de rock e sabe por qual motivo? Porque neles estão minhas verdades!

Um FORD abraço.

Sabugo

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