O bólido, o clássico e a cópia…

Já vou avisando que o texto vai ser uma mistura bem destilada, mas enquanto ouço um rockabilly de fundo, vou tentar esclarecer meu míope ponto de vista.

USeTechnoratiJimiHendrixVette

O bólido, ou seja, um carro que seja possante, não ´´poçante´´ de óleo, possante de ter potência mesmo, em sua concepção, nasce de um projeto, de alguma idéia, da vontade, do talento e do empenho do seu engenheiro. Assim como as músicas, nascem da idéia de seus compositores e/ou de seus intérpretes. Isso salvo as versões é claro.

Então após a coisa toda passar pela transmutação da simples idéia até a sua criação final, caindo no gosto do povo, ou melhor, sendo aceita, admirada e de fato comprovada sua beleza de criação e perfeição de projeto, esta torna-se um clássico (veja bem, me refiro tanto aos veículos como às canções).

São esses clássicos que tomam o imaginário do povo, são os sonhos de consumo dos meninos, embalam diversos momentos de nossas vidas, acabam fazendo parte da nossa história, nos apegamos a eles, nos trazem aquele gostinho de nostalgia e nos fazem viajar no tempo, com ou sem gasolina! Os clássicos nunca morrem, eles apenas ficam na prateleira, à espera de serem novamente notados por algum olho bem treinado ou algum ouvido mais apurado.

Entrementes situações e mais situações acabam por desmerecer os clássicos, sejam elas pelo descuido, ou pelo gosto de algum desavisado tentar em um passe de mágica fazer alquimia com o clássico para transformá-lo em outra coisa.

Clássicos são clássicos! Vou dar dois exemplos. O primeiro é o exemplo de um clássico da indústria automotiva nacional o Landau. Não adianta pegar um corcel I e aumentar a lataria para dele fazer um Landau, nem o Del Rey conseguiria ser um Landau. Cada um é um carro à sua maneira.

Se você tentar fazer alguma coisa igual, será um cópia, não um clássico. Isso vale muito para a música, a música em si é um clássico, aclamado ou não. Você pode fazer tudo igual ao artista que gravou a música, ter o mesmo equipamento, a mesma pegada, executar perfeitamente as mesmas notas que o original, perfeito, você faz com a mesma perfeição do original, mas mesmo assim você é cópia. Não quero que me entendam mal, não quero depreciar nenhum trabalho de banda cover, afinal de contas, é graças a elas que temos shows com as músicas que gostamos e com performances praticamente iguais aos artistas que já não tocam mais por aí.

Eu só acho que a cópia tem o inconveniente de não expressar a criatividade. Hendrix era Hendrix porque tocava como Hendrix, sem querer copiar ninguém, um sem fim de gente tenta tocar como ele, alguns conseguem, mas ficam como cópias. Se Hendrix copiasse alguém, Hendrix não seria Hendrix e Hendrix não seria clássico. Isso é como relançar carros que fizeram sucesso antigamente. Hoje não passariam de cópias do que o passado foi, teriam um pouco da alma dos ancestrais, mas os ancestrais foram únicos, foram eles mesmos.

Por isso que eu não transformo meu Maverick numa cópia de GT, ele é super luxo, não é V8, nasceu e vai morrer sendo 4 cilindros.

Se eu copiar Hendrix, serei eu, Hendrix? Não. Se eu copiar Hendrix, deixarei de ser eu? Sim.

Um FORD abraço.

Sabugo

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