Mercado de biodiesel está praticamente parado, diz gerente de usina

O mercado de biodiesel está praticamente parado. A avaliação é de Kayo Wilhelm, gerente geral da Taua Biodiesel, de Nova Mutum (MT). A indústria foi visitada no segundo dia de expedições do Circuito Tecnológico Aprosoja, que percorre locais de produção no norte e oeste do estado nesta semana.

A usina pertence a um grupo que atua também na indústria têxtil, no interior de São Paulo. Em atividade há seis anos, a estrutura tem capacidade de beneficiar 1,5 mil toneladas desoja por dia.

O plantio da nova safra começou na última segunda-feira (14/10). Só em Nova Mutum, devem ser semeados 6,5 mil hectares da oleaginosa com ciclo precoce e outros 3,5 mil com a de ciclo normal.

Segundo Wilhelm, a produção do biocombustível está parada há cinco anos. “A conta do biodiesel simplesmente não fecha. O preço não está bom. Eu não sei como ainda tem empresa de biodiesel funcionando”.

O programa brasileiro de biodiesel tem sido baseado em leilões do governo federal. No mais recente, no início deste mês, foram negociados 521,5 milhões de litros para serem consumidos no Brasil em novembro e dezembro. O valor superou R$ 1 bilhão, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove).

A produção no primeiro semestre do ano chegou a 1,66 bilhão de litros, também segundo a Abiove, alta de 12,7% em relação ao período no ano passado. No entanto, o preço está menor. No leilão deste mês, o valor médio foi de R$ 1,94 por litro na usina, 27,5% a menos que o praticado para o último bimestre de 2012 (R$ 2,68 o litro, em média).

Por lei, é obrigatória a mistura de 5% do biocombustível no diesel de petróleo. Representantes do setor acreditam que a parcela poderia ser maior. “Poderia ter 100%. A quantidade de usinas de biodiesel que tem no país dá para alimentar muita bomba. E é efeito dominó. É interessante, começa a aparecer gente”, disse Wilheim, para quem o foco do governo no de petróleo no pré-sal tem afetado o setor de biocombustíveis.

Óleo e farelo

Com a produção de biodiesel parada na usina da Taua Biodiesel, as opções têm sido o processamento do óleo e farelo da oleaginosa, vendidos no mercado interno. O mix de produção está em 20% para o primeiro e 80% para o segundo.

Os preços, segundo Kayo Wilhelm em torno de R$ 970 por tonelada de farelo e de R$ 2,12 o quilo de óleo, estão remuneradores. “O mercado está interessante para o óleo. O preço internacional está bom. No farelo, também está positivo, tem mercado para tudo. Tenho virado a fábrica conforme pedidos”, disse ele.

Para os próximos meses, avaliou, a expectativa é favorável para o mercado de óleo e farelo. Mesmo considerando a possibilidade dos preços da soja em grão diminuir, uma situação que considera normal. “O preço do óleo e do farelo oscila, mas é um pouco diferente. Se a soja sobe, sobe também, mas às vezes demora um pouco mais, às vezes sobe antes.”

No mercado interno, a expectativa é de que as cotações do grão fiquem entre R$ 45 e R$ 48 por saca de 60 quilos, em um ano em que a safra brasileira deve superar a dos Estados Unidos. O desafio, segundo o gerente da Taua Biodiesel, está nos custos, já que a formação do preço se dá em nível internacional.
“É suado. O segredo é comprar muito bem. Tem que ter muito cuidado, muita competência nessa parte”.

Opção para a indústria de Nova Mutum é produção de óleo e farelo

por Raphael Salomão, de Lucas do Rio Verde (MT)* – Revista Globo Rural

*O repórter Raphael Salomão viajou a convite da Aprosoja-MT 

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