E chega a hora

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Não se sabe ao certo quando será a hora, mas sabe-se de antemão que ela chegará sem falhar, mesmo que tardiamente, isto quando não chega antecipadamente e nos pega desprevenidos.

Falo isso pelo adiantar do calendário, já estamos indo para o final do ano, complicado foi que eu não vi passar os outros oito meses.

Dei um tempo nesse domingo para dar um trato no meu velho amigo, um violão Folk Eagle CH882. De vez em quando é bom trocar o encordoamento, dar um trato na madeira do braço, hidratar, conferir parafusos, trastes, curvatura do braço. Adiei tudo o que pude para fazer isso, mas chegou a hora, o encordoamento já estava na espera há mais de dois meses e meu violão pegando pó, sempre tocando ele com as cordas velhas.
Fiz a capricho, cordas 0.11 de bronze, todo hidratado, lustrado e polido, alinhado e afinado. Dá gosto, até toquei um Raulzito nele para não perder o costume.

Levei umas duas horas entre desmontar e montar, afinar e deixar pronto, mas valeu e muito, ficou 100%.

Entrementes, enquanto eu fazia todo esse preparatório, me lembrei das tarde de sábado lavando e polindo o bólido, digo, meu Maverick. Primeiro um jato de água para tirar o máximo possível de pó afim de não riscar a pintura já rota da ação dos anos, depois água com sabão, após bem esfregado com esponja e os pneus lavados com escova vinha o último enxágüe para retirar o sabão e assim evitar que manchasse ainda mais a pintura. Mas não era o fim de tudo. Na sombra eu passava cera por todo o carro, até nas calotas, esperava um pouco e depois eu com uma estopinha na mão polia ele. Era cansativo, mas prazeroso, tal qual uma trilha de moto, tal qual forjar uma faca. Mas eu saboreava o resultado apreciando as curvas reluzentes de um carro feito há mais de trinta anos, me espelhava em sua lataria (ainda feita de lata e não de plástico como os de hoje).

Quem ainda hoje faz isso? Acho que poucos. Raros são os que mantém uma interação com seu carro, uma relação de companheirismo e respeito, cuidado, manutenção, amor.

Muita gente terceiriza a lavação seja por sobra de verba, por falta de tempo ou por pura preguiça. Bom talvez nem seja por isso né, afinal de contar os carros de hoje são como eletrodomésticos: são cheios de fios e botões, são feitos de plásticos, isentos de personalidade e essência já não pertencem mais à família, são apenas objetos que após seu período de uso, assim que começarem a aparecer os primeiros sinais da necessidade de manutenção são descartados/trocados por um novo.

A hora chega, e chegou a hora de voltar ao meu carro, chegou a hora de matar a saudade e viver a louca utopia de voltar no tempo e tentar em vão viver na década em que eu bem queira.

 

Um Ford Abraço

 

Sabugo

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