Prefiro a Garagem

           apple-rock-god-garage-band

            Dia dos pais, domingão, reunião de família como sempre, mas é uma data especial, afinal é o dia dos pais, o comércio já faturou uma bolada, os pais ganham presentes, alguns filhos continuam sem os pais para dar o presente e muitos pais ganham filhos nesse dia, mas no restante do ano eles mal vão se falar, assim é a vida. Mas eu saí com a família sim, aproveitei o dia dos pai com meu pai, confesso que sem ele eu não seria nada, além da gratidão tenho muito carinho, respeito e admiração por ele.

            Foi nessa saída pouco rotineira de casa para um almoço no restaurante que algo me chamou a atenção. Chegamos ao recinto, tomamos lugar à mesa, conversamos mais um pouco e quando o pai e a mãe foram se servir, eu permaneci na mesa guardando nosso lugar, foi aí que notei a tv em um canto ligada e assisti por alguns instantes. Isso foi o bastante para reduzir o apetite e azedar o meu humor.

Passava na tv um programa que nem me dei ao trabalho de saber o nome com apresentações ao vivo de cantores de sertanejo universitário. O apresentador chamou uma dupla que entrou no palco já com a música em andamento, mandando beijinho para a platéia, um com topetinho ridículo de violão elétrico na mão, outro com calça cor de rosa e microfone na mão. Cantaram uma música ruim que dava azia, a letra não falava nada com nada, mas enquanto faziam isso, um deles tocava um violão elétrico desplugado e o outro rebolava e ria para a câmera sem parar, fazendo caras e bocas. Acontece que não batia o movimento de boca com a música, ou seja, puro playback misturado com encenação barata e fajuta.

Não quero massacrar esse estilo musical, afinal tem quem goste e temos que respeitar. Só acho muita sacanagem ir ao programa para playback é o fim da picada. Quem sabe faz ao vivo, quem sabe tira o som onde quer que seja.

Eu prefiro a garagem, ou o armazém, prefiro o estúdio precário, o quarto emprestado, o porão, o céu aberto, a calçada, seja lá onde for! Prefiro pois é em um ambiente desse que se faz música de verdade, errando, atravessando, esquecendo da letra, foi em lugares assim que nasceram bandas que hoje influenciam jovens pelo mundo. É fazendo de verdade que se curte o som, é mandando ver e lidando com a adversidade de se regular o equipamento em diferentes ambientes e condições, é no esmero que sai o som, o suor e a glória de ver o trabalho tomar forma, de se criar música. O playback é um karaokê de você mesmo, uma coisa sem graça.

Faça a coisa valer a pena, faça com vontade, faça do teu jeito, dê a cara à tapa, mas suba lá e faça na raça!

 

Um Ford abraço

 

Sabugo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s