O Velho gosto de Ferrugem (ou seria pela ferrugem?).

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             O cara ser antiquado é sinônimo de atrasado, arcaico, obsoleto, eu sei disso, mas acho esse rótulo tão confortável, me identifico tanto com ele que hoje em dia eu já não sei mais se sou ele, ou resultado dele. Me refiro não ao sentido de ser arcaico ao ponto de se comparar com um dinossauro em pleno século XXI, mas de gostar de coisas antigas. De querer o passado em volta, sendo ele presente, afinal de contas, como já disse o grande Marceleza: Eu vi o futuro baby e ele é passado.

Eu não curto muito essas modernidades de hoje não, confesso. Tem muita coisa nova de estilo, de moda, de música, de visão política, geológica, extraterrestre, mecânica, automotiva, histórica, televisiva, comportamental, medicinal, quântica, literária, etc. que eu não curto não. Tudo bem, convenhamos que algumas modernidades são boas, deram alguma (eu sei, muita) contribuição para a humanidade.

Mas essas novidades não têm o gosto da ferrugem, não tem o perfume do formol, nem a poeira do tempo, muito menos a nostalgia das coisas de antes. Os tempos mudaram, o jeito de se ver as coisas também, de se fazer elas e de se cuidar.

Eu sou do tempo que carro era membro da família, tinha que saber o básico, o feijão com arroz da mais básica manutenção. Ainda hoje eu não deixo ninguém ver o óleo ou a água do meu Maverick, eu mesmo faço isso, calibro os pneus e abro a tampa do tanque para o frentista.

Ainda tenho meu Atari 2600 funcionando com um bom tanto de jogos para de vez em quando me lembrar da minha infância, das tardes que para o sol não atrapalhar a gente cobria a janela com um cobertor xadrez e passava horas e horas jogando river raid. E como era bom, tinha até nescau geladinho! Minha coleção de bolicas (bolinhas de vidro, ou mesmo bola de gude) ainda está a salvo dentro de uma caixa de sapatos, bem como os iô-iôs, meu aquaplay, as miniaturas de carros antigos e os comandos em ação.

Deve ser por isso que eu só gosto de carro antigo, devo ter dado uma parada legal no tempo. Carro novo não me chama a atenção, não são feitos como antes, com requinte, são de plástico, não marcaram época, são eletrodomésticos sobre rodas, assim que der um pequeno defeito, se troca por outro. Meus amigos sempre trocam de carro, por outro modelo mais novo, por outra marca e me criticam por investir tanto no maverick. Bom se eu quisesse outro carro, eu teria, mas quero ter meu maverick, quero ter minhas coisas antigas, puxar o freio de mão do tempo e curtir meu rockzinho antigo que não tem perigo de assustar ninguém.

Ou quem sabe ouvir um blues, bem raiz, bem acústico, tomando uma velha pinga com butiá que eu te juro, é melhor que uísque!

 

Um Ford Abraço

 

Sabugo

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