Caminhando e cantando

Não convém falarmos de política nesse espaço, eu bem sei, entretanto, dado os acontecimentos dos últimos dias, não posso deixar o assunto sair de pauta. Nós rockeiros de coração, há muito já bradamos que a coisa vai mal, que ta feia a situação, que algo precisa ser feito e vemos isso em várias canções com letras que escritas há décadas, hoje continuam atuais. Raulzito já dizia que faltava cultura pra cuspir na estrutura, pois é Raul, verdade, faltava, parece que o povo acordou!

            Em meio à onda de manifestações Brasil afora, participei de uma, que se comparada às manifestações dos grandes centros, teve um número muito pequeno de participantes, entretanto, se analisarmos o número de habitantes da minha cidade natal, foi bem expressiva. Eu fui sim, me senti mais do que no direito, me senti no dever de participar, pois sempre defendi um país melhor, condições melhores e sempre usei a música, ou melhor, a melhor das músicas, o bom e velho ROCK para defender essa bandeira.

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Durante a manifestação, chovia e fazia frio aqui, mas isso não impediu que a manifestação se realizasse. Ao sair do trabalho eu fui para a rua e me misturei à massa, vi tanta gente conhecida, vi tantos rostos desconhecidos… Mas isso não importava, éramos um só, o povo nas ruas! Entre cartazes, entre gritos, visualizei professores, advogados, estudantes, mecânicos, jovens, idosos, homens, mulheres, todos unidos para tentar mudar a situação, para tentar melhorar a condição do povo. E eu caminhando entre a massa, não pude deixar de sentir a vibração que emanava no grito das pessoas a minha volta. Enquanto eu caminhava, como bom rockeiro, me recordava de letras e do fato de eu ser de 83, de pertencer à geração Coca – Cola, (que aliás, a letra é muito condizente com o momento em que vivemos).

Isso me fez nos intervalos dos gritos que bradávamos em coro, recitar para mim mesmo, baixinho as letras dos Inocentes – Pátria amada, da Legião Urbana – Que país é esse, do Raulzito – Cambalache, dos Engenheiros do Hawaii – 3º do plural, do Camisa de Vênus – O país do futuro, do Ultrage a Rigor – Filho da puta, Titãs – Desordem e Garotos Podres – Subúrbio operário. Não teve como conter o orgulho de ser Rockeiro e nem a satisfação de estar ali me unindo aos outros que também anseiam por um país melhor, mais justo, mais sério e honesto.

Agora, vou encerrar esse texto e ir dormir, porque amanhã é outro dia e temos mais uma manifestação aqui na terrinha do Monge João Maria (sim, sou de Santa Catarina e já tivemos revoluções aqui meu amigo, a farroupilha e a do contestado) e eu pretendo ir, afinal de contas, eu não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar.

Ainda vamos compor músicas sobre esses dias vividos, seremos amanhã o orgulha da nação e faremos jus ao legado de rockeiros que já se foram e deixaram para nós o seu legado.

A-nao-violencia-e-a-melhor-opcao

Um FORD Abraço

 

Sabugo

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