Adolescente de Trinta

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             Maravilha se os anos não corressem tão depressa para os roqueiros, se ficássemos incólumes perante os anos, mas esse corcel alado insiste em nos carregar e é ele (o tempo) que no bater de suas patas dita o ritmo dos anos…

Pior de tudo é que comprovamos amargamente que os idos anos não voltam mais e precisamos refazer a cada dia nossa história. O problema é o saudosismo que carregamos em nós, o jeitão de andar para frente sempre olhando (e comparando) para o que ficou para trás.

É como diz a canção da Turma da Pompéia: ´´O tempo foi passando e as idéias se modificando, como todo adolescente de trinta eu parei para pensar, o futuro no tempo´´. E fazendo isso agora, chegando aos trinta, o corpo dá uns sinais de idade sim, mas o sonho é eterno, nunca pode acabar, e ele continua lá, latente como nunca.

Antigamente a gente encarava a vida na maior, havia shows de rock que eu gostaria de ir, bandas que me influenciavam, caras que eu queria ser igual, tocar igual, sonhos para realizar! Hoje eu já vi um bocado de coisas rolarem, já conquistei algumas coisas, realizei tantos sonhos e os meus ídolos, heróis da música jazem em paz, não fazem mais turnês e se sair algum álbum novo deles será um álbum póstumo. Os novos que aparecem não fazem jus aos ídolos que outrora empunharam guitarras, microfones e fazendo uso dos palcos, levaram multidões ao êxtase embaladas pelo rock.

A vontade de ter uma banda de Rock me acompanha desde os primórdios, algumas vezes diminuía, outras se agigantava, mas sempre esteve lá e hoje graças aos amigos e esta vontade persistente estamos aí, novamente tentando. Entrementes, já com 3 décadas no ´´lombo´´ hoje cultuamos coisas que há muito se foram, e nos pegamos falando de acontecimentos longínquos como se tivessem ocorrido ontem.

É bem verdade que nessa fase da adolescência em que me encontro (a fase dos 30), somos bem mais seletivos, mais ranzinzas, mais comprometidos e comedidos. Mas quando o assunto é o bom e velho Rock n´Roll o fator idade se dissolve, perde importância e amplifica a nossa energia fazendo nos sentir como a molecada na garagem durante o ensaio, sonhando com o palco, com vontade de colocar o disco da banda preferida para rodar e deixar o volume no talo, comprar vinil, ler os gibis do Groo…

Chegar aos 30… Meia idade, com algumas certezas, muitas vontades e carregando o rock desde que ouvi ele pela primeira vez até que foi fácil, passou tudo tão rápido… A questão é saber se vou chegar a ser um tiozão rockeiro de barba branca andando com meu Maverick por aí e plugando a guitarra com a galera da banda, eu vou trocar sem nenhum ressentimento minha bengala por uma Les Paul.

 

Um FORD abraço.

 

Sabugo

 

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