Ao acaso, por acaso não existe.

             Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo: Dois anos do retorno de nosso programa Mundo do ROCK ao ar na rádio, quase dois anos que desmontei meu Maverick e até agora não andei com ele, reforma, pedido de facas parado, inverno chegando, aniversário também, páscoa, ponte de guitarra estourada, unha descolada e tanta coisa mais…

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            Acho que é aí que mora a graça da vida, no turbilhão, no meio do redemoinho, de repente você encontra algo que te faz parar, tudo continua girando em torno de ti, mas apesar de você ter consciência disso, só existe por um tempo aquilo para você, o restante que está à sua volta parece perder a importância momentaneamente. E é algo muito bom essa experiência, essa percepção, é uma fuga sadia da correria mundana. Eu encontrei ela nessa final de semana por acaso, ou não, talvez não seja mero acaso.

Não creio que seja por acaso não, seria muito acaso quatro amigos se reunirem para tentar tocar ROCK, sendo dois deles irmãos, e depois de algum tempo os mesmos estarem com a avó completando 94 anos e organizarem uma festa para toda família convidando os outros amigos para irem até lá tocarem um pouquinho de ROCK, mesmo sem ensaio, sem repertório… Seria muita obra do acaso também, na referida família existirem mais músicos, sendo 3 bateristas e lá no salão de festas estar mais uma bateria montada…

Com certeza o ROCK não é obra do acaso, e depois da passagem do som (gente, calma é tudo amador!) quando a guitarra plugada empurra distorção, o baixo vem para a festa, a bateria marca o ritmo e o vocal puxa a música até então mais ensaiada para dar a segurança necessária para a modesta, repentina e rápida apresentação, a magia acontece. Não há espaço mais para se encabular, não o rock não permite, não bate a insegurança, pois o rock não deixa, não precisa de repertório, as músicas vêem à cabeça e se um não sabe a letra, o outro sabe, se não se lembra a letra toda, repetimos o refrão mais de uma vez.

Improviso, é sim, estou falando de improviso, de reunir dois bateristas que nunca tocaram juntos, de lembrar uma música e pegar no tranco, de fazer ROCK AND ROLL! Isso é sublime, é um transe, um deleite em puro êxtase, você é transportado dali, a platéia na tua frente, a música em teus ouvidos, a energia da música, duas baterias, coração disparado, cabeça a mil, mas em paz, e pelos poros exalando Rock and roll. E no meio disso tudo, sem repertório definido, sem ensaio, durante a troca dos bateristas (sim, havia duas baterias e quatro bateristas) ouço uma voz pedir com um grito para tocar Raul, e nesse momento todo o turbilhão a minha volta parou, só havia aquele pedido. Sorri e com prazer inigualável fiz a frente e puxei um Raulzito para a festa.

Pouco me importa se cheguei em casa as 02:00 da matina carregado com bateria, cubo, guitarra, cabo, e no domingo de páscoa tive que levantar cedo para descarregar tudo, me importa que nesta época do ano, da páscoa, o sentido de nascimento toma forma, as mais variadas possíveis, e são nelas que encontramos a chave da vida.

Um FORD Abraço

Sabugo

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